Archive from setembro, 2014
set. 26, 2014 - Botequim    Sem comentários

Gorduchinha, a nova delícia do Da Gema

carne

Esse blog não é sobre botequim, mas passeia por eles. Não espere ler aqui críticas técnicas de gastronomia. Proponho-me apenas a exaltar os sabores que encontro por aí. Ah, também não sou Berg Silva, que sabe fotografar os quitutes com qualidade. Eu apenas faço um registro. E este aí de cima é da Gorduchinha, uma das quatro novidades do cardápio do Bar da Gema, na Tijuca. Provei ontem. É nota 10!

Gorduchinha é um prato com cinco bolotas de carne. Não dá pra dizer que são bolinhas. Seria singelo demais. Bolinhas são aquelas miudezas de queijo servidas em festa de criança. No Da Gema, essas bolas de carne são maciças, suculentas e grandes. Graciosamente empanadas no queijo parmesão e mergulhadas no molho de tomate da casa. Cá entre nós, esse molho é brincadeira, excede em sabor. Se, após comer a carne, sobrar molho no prato, não se acanhe e peça uns pedaços de pão. Encharque-os no molho, contemple, aproveite! Lembre-se que você está num boteco. E nesses refúgios, não se despreza o molho que sai da cozinha. Por fim, folhas de manjericão decoram a iguaria. É uma mistura de sensações e custa R$ 35.

O que o Leandro Amaral, que comanda a casa e os fogões com a sócia Luiza Souza, conseguiu com este petisco foi transformar uma receita caseira num prato com status de principal. A carne é temperada com sal, alho, pimenta o reino e hortelã. E o ponto certo da Gorduchinha é escravo das mãos do Leandro.

Ah… ontem foi dia de Bistrôquim no Bar da Gema, um evento semanal, sempre às quintas, quando Leandro e Luiza preparam um prato especial. O de ontem, que aparece na foto abaixo como se estivesse flutuando no balcão, foi peito de boi acebolado, batata cozida e farofa com carne seca. Também tem gosto de quero mais!

O Bar da Gema fica na Rua Barão de Mesquita, 615 – loja C e D, na Tijuca (não abre às segundas). É ao lado do 6º BPM. Tel.: (21) 3549-0857. Esta semana, a casa estreou no Instagram. Quem quiser seguir, é o @bardagema

peito

set. 24, 2014 - Opinião    Sem comentários

O ignorante vota nulo e diz que é protesto

votonulo

A pichação acima está no muro de um restaurante no Andaraí, na Zona Norte do Rio. O teor da mensagem, no entanto, pode ser visto em outros muros, do Rio de Janeiro e fora dele, e nas redes sociais. Fazem do voto nulo uma campanha. E há até quem grite: “contra a corrupção, VOTE NULO!”. Só que votar nulo (ou em branco), no processo de escolha dos governantes, é o mesmo que… nada.

Tem gente que confunde ou nunca leu o artigo 224 do nosso Código Eleitoral. Ele diz: “Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias”.

“Se 51% dos eleitores votarem nulo haverá nova eleição, mostraremos que não estamos de bobeira. Esse é o nosso protesto”. Certo? Não. Errado. A nulidade citada neste trecho do código se refere aos votos que serão anulados, basicamente, por causa de alguma fraude (Está nos artigos 219, 220, 221 e 222 do Código Eleitoral). O conceito não abraça o caso dos eleitores que vão até a urna, apertam um número que não está na disputa e confirmam, nem aqueles que apertam o botão branco e confirmam.

Quem vota nulo tem seu voto desconsiderado. O nosso sistema eleitoral vai contar votos válidos, determinar quem teve mais e anunciar os vencedores. Simples.

O voto nulo é campanha do anarquista. É desculpa do preguiçoso, do revoltado de meia-tigela, do sujeito que vive a moda de “ter uma opinião forte”, mas é desinteressado pela política. Difícil mesmo é dedicar tempo a encontrar um candidato que te agrade. Agora, se você nada sabe sobre cidadania, sobre a diferença entre o trabalho do deputado federal e do senador, a culpa não é do sistema. É sua. Basta se informar. Se você não quiser ir a uma livraria, um passeio pelos sites de busca na internet vai te ajudar. Parece chato? É melhor dedicar seu tempo discutindo se a mulher flagrada transando na rua é ou não é a Viviane Araújo? Bem, literalmente, quem decide é você.

E saiba: não faço aqui campanha de nada. Minha ideia é apenas tentar livrar alguns da ignorância ou da preguiça.

O voto nulo é um direito, ora! Boa parte dos meus amigos mais rejeita os candidatos ao governo do Rio do que declara voto a algum deles. Se você não confia em nenhum e, por isso, vai votar nulo, ok! É direito seu. Mas não diga que isso é sua bandeira.

Votar nulo como “forma de protesto” é mais inofensivo do que apertar a campainha do vizinho e sair correndo.

set. 23, 2014 - Música    1.367 Comentários

‘Alvorecer’, por Gabriel Cavalcante

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“Alvorecer”, o clássico de Dona Ivone Lara e Delcio Carvalho, tem em Gabriel Cavalcante uma releitura apaixonada. O músico e cantor do Samba do Trabalhador e do Samba da Ouvidor carrega “Alvorecer” pra onde vai. Quando se apresenta em carreira solo, é com esta música que ele abre o show. Invariavelmente. Como se fosse um amuleto. Para Gabriel Cavalcante, “Alvorecer” transmite a pureza que falta hoje em dia.

– É uma música feliz, positiva, que traz esperança. Os versos são fortes. Além de fortes, são puros. Sinto falta de pureza nos dias de hoje.

No vídeo abaixo, veja, Gabriel canta “Alvorecer” durante uma apresentação do Samba do Trabalhador, no Traço de União, em São Paulo. Foi no dia 16/09/2014, a sexta apresentação do grupo de Moacyr Luz em sua casa na Terra da Garoa (Hoje, a partir das 19h30m, tem mais).

Essa gravação foi feita num momento diferente do grupo. O Renascença Clube, berço da roda, no Andaraí, no Rio de Janeiro, está temporariamente impedido pela Justiça de usar microfones e caixas de som. (A proibição foi determinada no dia 12/08/2014 – Ontem, foi a sexta segunda-feira sem som). Com isso, todos precisam cantar junto quando alguém puxa uma música à mesa. O ouvinte ganha, já que o coro dele se torna fundamental. Mas, ao mesmo tempo, perde. Perde por não poder apenas parar e ouvir Gabriel cantando essa fina poesia do nosso samba.

É sem dúvida uma releitura especial do clássico. Em 2014, “Alvorecer” completa 40 anos que foi gravado pela primeira vez, por Clara Nunes. A música, inclusive, deu nome ao LP que ela lançou pela Odeon em 1974. Seis anos mais tarde, Delcio Carvalho colocou “Alvorecer” em seu LP “Canto de um povo”. Dona Ivone Lara só gravou essa joia em 1997, no CD “Bodas de ouro”, e regravou em 2009, no CD “Canto de rainha”. Em 2003, a música ganhou a voz de Mônica Salmasso, no CD “Um ser de luz – saudação à Clara Nunes”.

Gabriel não gravou o samba em CD nenhum. E, por enquanto, nem pretende. Sua versão é, digamos, livre. Só pode ser ouvida nas rodas (e agora neste vídeo). O músico da Muda que toca a emoção dos mais atentos com sua voz de barítono flerta com a pureza do samba:

– Tudo se resolve no Alvorecer.

A letra:

ALVORECER
Olha como a flor se acende
Quando o dia amanhece
Minha mágoa se esconde
A esperança aparece
O que me restou da noite
O cansaço, e a incerteza
La se vão na Beleza deste lindo alvorecer

E este mar em revolta que canta na areia
Tal a tristeza que trago e minh’alma canteia
Quero solução, sim, pois quero cantar
Desfrutar desta alegria
Que só me faz despertar do meu penar
E este canto bonito que vem da alvorada
Não é meu grito aflito pela madrugada
Tudo tão suave. Liberdade em cor
O refúgio da alma vencida pelo desamor

set. 22, 2014 - Opinião    Sem comentários

No Butantã, um fio de esperança

bomcaminho

Muita gente acha que o Brasil não tem jeito. Acha que o brasileiro comum é renitente ao trabalho, à evolução. Eu vou contar agora um pedacinho da história de Fernandinho, um jovem que conheci, semana passada, no Jardim São Jorge, sub-bairro do distrito Raposo Tavares, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo. Em 1999, ele tinha 9 anos de idade. Era mais um dos milhares de meninos pobres daquela região que vivam pra cima e pra baixo nas ladeiras do Jardim São Jorge.

Mas num iluminado fim de semana, atraído por uma atividade sociocultural, ele chegou à sede do Grupo Assistencial Bom Caminho (na foto acima), que se instalara no bairro seis anos antes. O menino ficou encantado. Tinha ali, no meio de tanta gente disposta a ajudar, muitas coisas para fazer, para se ocupar. Nem percebia, mas já estava aprendendo algo. Contudo, àquela altura, o que ele se importava mesmo era com as brincadeiras e as companhias. Naquela semana de descobertas, Fernandinho voltou lá todos os dias. Sua presença assídua alegrou os colaboradores do Bom Caminho, mas sua insistência em permanecer, em fazer de tudo para ser o último a ir embora, ligou o alerta do Tio Mário, como é chamado por todos o presidente da ONG.

– Menino, vou te levar pra casa! Me diz onde é…

E Fernandinho, obediente e tímido desde a infância, conduziu o líder comunitário. A realidade dele não era diferente da de muitos da região, mas Mário se impressionou ao saber que a família de Fernandinho, num total de oito pessoas, dormia sobre a mesma cama de casal. Era mãe, filhos e filhas. Com o coração revestido por uma couraça feita pelas durezas do cotidiano, Tio Mário não se abateu e quis em presentear o menino. O Natal estava chegando, era o momento propício para um gesto de solidariedade. Ele pensou em dar uma cama ao garoto e perguntou:

– O que você quer ganhar de presente?

O menino de 9 anos não precisou pensar muito para responder o que Tio Mário não esperava ouvir:

– Eu quero ganhar um emprego para minha mãe, pra gente não morrer de fome.

A sinceridade genuína daquele brasileirinho varou a tal couraça e partiu o coração do Tio Mário. Dali pra frente, o homem sentiu que tinha um compromisso com aquela criança. É como se a ONG tivesse adotado Fernandinho. Ele passou a participar de todas as aulas que poderia fazer no Bom Caminho. Cresceu ali dentro, sob as orientações do Tio Mário e dos demais colaboradores do projeto social. Com as informações que recebia, Fernandinho encontrou meios de ajudar a mãe, os irmãos e irmãs, e, claro, de influenciá-los, de passar a eles o que vinha aprendendo.

Fernandinho, que jamais se desligou do grupo assistencial que o acolheu, cresceu evoluindo como ser humano e vendo alguns de seus amigos descerem a ladeira do crime. Ele, porém, permaneceu no “bom caminho”. No final deste ano, Fernandinho vai se formar em Psicologia. Em 2015, como funcionário da ONG, passará a atender seus irmãos de bairro.

O menino do Jardim São Jorge não imagina, mas é um fio de esperança nos dias de hoje.

bomcaminho1Na foto: Tio Mário e algumas das crianças atendidas hoje no Bom Caminho.

set. 19, 2014 - Crônica    Sem comentários

No trânsito do Recife

mercedes

Perdido no caótico trânsito de Recife, a capital de Pernambuco, um motorista carioca parou para pedir informação. Era seu último recurso, já que o GPS lhe indicou um caminho errado.

– Boa noite! Como faço para chegar na pracinha da Praia de Boa Viagem?

Na calçada, havia dois homens batendo papo. E um deles:

– Rapaz, você tá longe, viu? É lá do outro lado… Olhe, eu tô indo pra lá, ‘víci’! Se você não se importar eu levo você – sugeriu o pernambucano.

– Claro, entra aí.

O homem parecia estar saindo do trabalho. Era bem simples e falador. Como prometera, foi indicando o caminho e sugerindo o que tinha, ufa!, menos trânsito, apesar da dificuldade em apontar a esquerda ou a direita. Explicou que “pelo outro caminho” ia demorar muito mais e etc, etc, etc… Falou da fruta da estação, dos tubarões que chegam perto na areia… Aquele nordestino gostava de puxar conversa e misturar temas. Quando o assunto ameaçava morrer, ele já emendava outro. Falou sobre Eduardo Campos e Marina, já tinha dado todas suas opiniões sobre as eleições… Nisso, o carro parou num sinal. O sujeito retomou o fôlego, apontou para uma Mercedes SLK (semelhante a da foto acima) parada à frente e perguntou ao carioca:

– Ôxi, quanto deve custar um carro desses?

Apesar de impressionado com o falatório, o carioca tentava retribuir com atenção. Afinal, o sujeito estava também para ajudá-lo. Mas era preciso de esforçar…

– Acho que uns R$ 400 mil – chutou um preço (na verdade, custa uns R$ 250 mil).

– Ôxi, isso tudo é?

– Acho que sim, moço.

– Sei não. Veja, meu irmão está vendendo uma BMW por R$ 70 mil. Como pode esse carro aí ser mais caro?

– Ih, isso eu não sei. Mas qual é o modelo do carro do seu irmão? Depende do modelo.

O da carona, com toda sua simplicidade, pensou por uns 10 segundos e…

– É um vermelho!

 

 

set. 10, 2014 - Opinião    Sem comentários

Um gol no Arruda

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A minha vontade de conhecer estádios de futebol me levou hoje ao José do Rego Maciel, no bairro Arruda, no Recife. Este gigante do futebol brasileiro é a casa do Santa Cruz e é conhecido como Colosso do Arruda, Mundão do Arruda ou, simplesmente, Arruda.

É, de fato, um gigante, mas muito diferente do multirreformado e bilionário Maracanã, no Rio, estádio do meu coração.
Não é fácil chegar ao Arruda durante a semana. Ainda que o jogo entre Santa Cruz e Portuguesa foi às 19h30m, horário cruel no trânsito recifense. Pra fugir dos engarrafamentos, optei por uma aventura no metrô.

imageSaltei na estação Afogados e peguei um táxi. O ônibus integração demoraria 40 minutos para chegar lá. Todos me falaram que essa era estação mais próxima. A corrida deu R$ 25. A passagem de metrô custou R$ 1,60, menos da metade da cobrada no Rio. Depois descobri que a estação Joana Bezerra é a que fica mais perto. Ao menos para o relógio do táxi, que marcou R$ 18 na minha volta.

O preço da entrada foi camarada: a minha custou R$ 15 (inteira).

O Arruda parece o Maraca de décadas atrás. Faz parecer que há dois Brasis ou muito mais de dois.
Quem fica na superior tem como cobertura apenas o céu. E ontem foi noite de chuva. Os que tinham capa pra vender, voltaram pra casa de mãos vazias. E outros ambulantes vendiam livremente nas arquibancadas e sob elas toda sorte de quitutes. Até churrasquinho e salsichão. Não era possível saber a procedência de nada, a marca de nenhum daqueles produtos. Restava apenas confiar na palavra do vendedor.
– Esse é da melhor qualidade! Um real, vixe!
Os banheiros me lembraram e muito os da época em que o Maraca vivia ao “Deus dará”: mijo pelo chão, sem papel e aquele odor de final de campeonato sofrido.
“Olhe”, minha intenção não é apontar erros no Arruda. Longe de mim. Achei o programa fantástico. Só acho que o estádio merece mais cuidado. Ele carrega um pouco da história do nosso futebol e da nossa seleção: foi lá, lembra?, que o Brasil goleou a Bolívia por 6 a 0, em 1993.
Mas, veja bem, tem um coisa que o Arruda conserva igual a todos os outros estádios que já fui: a emoção do gol, o momento mágico do futebol.
Na noite desta terça, pela Série B do Brasileirão, o atacante Léo Gamalho subiu mais do que os zagueiros e, no final do jogo, fez o gol da vitória do “Santinha” (veja no vídeo).
A torcida tricolor, que estava angustiada com o possível empate dentro de casa, fez festa. Todos se abraçaram, respiraram aliviados.
Eu também fiquei feliz e agradeci a Deus por estar ali naquele momento!
O gol é uma explosão de alegria!

set. 7, 2014 - Flamengo    Sem comentários

Flamengo: ‘Não importa a cor da pele… só o sentimento’

 foto(5)

O torcida do Flamengo fez uma música contra o racismo, que foi cantada, ontem, no Maracanã, quando o Rubro-Negro carioca enfrentou o Grêmio. Não fora obra do acaso. A música surgiu em repúdio à atitude de gremistas que, durante uma partida pela Copa do Brasil, dia 28 de agosto deste ano, contra o Santos, na Arena do Grêmio, chamaram o Aranha, goleiro adversário, de macaco.

As imagens dos torcedores cantando foram feitas minutos antes da partida entre Flamengo e Grêmio. Eles, veja, esquentam o gogó nos corredores sob a arquibancada.

A letra:

Me chamam de mulambo, sem dinheiro
Faço parte da Nação que é seu pesadelo.
Me chamam de favelado, de pobre, negro.
Não importa a cor da pele, só o sentimento.

Sou Rubro-Negro!
Sou Rubro-Negro!
Sou Rubro-Negro!
Sou Rubro-Negro!

 

CÁ ENTRE NÓS…Arquiba
O Flamengo perdeu a partida por 1 a 0. Mas marcou um golaço contra o racismo. E a aquela torcedora do Grêmio, a Patrícia Moreira da Silva, de 23 anos, flagrada, pela TV, xingando o Aranha, diz que não é racista e pediu desculpas. Eu acredito nela. Xingou de ‘macaco’ porque os outros xingaram. Foi na onda da galera. Mas foi flagrada e, agora, vai ter que se explicar na Justiça.

Enfim, ela diz ser uma “Patrícia vai com as outras” e me parece meio, digamos, falsificada. É que se fosse uma legítima “Moreira da Silva” jamais teria feito um papelão desses.

Diga não ao racismo. #Somostodoshumanos

 

set. 3, 2014 - Botequim    Sem comentários

E foram todos para o Cachambeer

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Seu Paulo, morador do Méier que se tornou cliente fiel do Castro, chegou no bar por volta das 22h de ontem e não encontrou o Raphael Martins, o Minduba. Quem foi ao Botero, no Mercadinho São José, em Laranjeiras, também não encontrou com o Bruno Magalhães. Aquela turma aguerrida e festeira que bate ponto no Bar do Momo, na Tijuca, não viu o Toninho Laffargue preparar nenhum prato. O mesmo aconteceu com a clientela do vizinho Da Gema: Cadê a Luiza Souza e o Leandro Amaral?

É que, parafraseando o grande Sérgio Augusto, que escreveu o célebre “E foram todos para Paris – Nas pegadas de Hemingway, Fitzgerald e cia”: FORAM TODOS PARA O CACHAMBEER, a morada do Marcelo Novaes e a segunda casa de sua legião de admiradores. Este bar, como se sabe, é uma máquina de servir costela no bafo.

A mesa ainda contou com outros ilustres: a craque Bel Crozera, que dividiu com Toninho as panelas do Momo no Rio Gastronomia; Pedrinho da Muda, figura fantástica do Samba da Ouvidor e da Tijuca; Latino, personagem na noite carioca; e Maneca, o ex-malandro do Estácio que é o melhor amigo do Aldir Blanc (por acaso, aniversariante do dia).

A foto acima (que tem ainda a presença magnífica do Zé, gerente do Cachambeer) não deixa dúvidas: Marcelo conseguiu receber numa mesma noite boa parte dos “chefs” de botequim, que, assim como ele, fazem a diferença no paladar do carioca. Além dos mestres do sabor, estavam ainda os produtores do Rio Gastronomia (no primeiro plano da foto). Era uma espécie de comemoração. Sem aviso, sem publicidade.

O papo começou pelo bem-sucedido evento gastronômico, logo pulou para curiosas histórias de bar.  Afinal, cada um naquela mesa tinha, pelo menos, duas mil para contar. Eu só ouvia, registrava.

O rumo da prosa só perdeu sorrisos quando chegou a hora de falar do imposto sobre a cerveja, recém-colocado goela abaixo do brasileiro. cachambeer04

– Vai aumentar de cinquenta a oitenta centavos a garrafa – comentou Toninho.

Pronto. Foi como álcool na fogueira. O governo aumenta a taxa sobre as bebidas frias, as produtoras do líquido dourado aumentam o preço do produto… e os comerciantes?… o que fazem?

– Não vai ter jeito. Vamos ter que repassar. A culpa não é nossa! Não vai dar para entubar dessa vez. Quem bebe drink vai se dar bem – sentenciou Bruno.

Passado o desabafo, a turma relaxou. Afinal, reunir essa seleção é algo bem raro. Algo que merece alegria. Minduba, como mostra a foto abaixo foi tirar uma rodada incrível de chope. E o Marcelo largou um: “Bebi pra c… hoje”.

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Quem estava em volta, parou. Sentiu na voz do amigo um tom de lamento. Mas antes mesmo que alguém pudesse esboçar reação, ele completou estampando o sorriso habitual: “… graças a Deus!”

– E sabe qual é o melhor?, Marcelo perguntou, para completar de primeira: – Que eu nem almocei hoje… Aí, você bebe um montão… dá uma onda maneira, né?

Gargalhada geral!

Ao contrário dos pensadores que tiveram seus passos mapeados por Sérgio Augusto (no tal livro citado acima), os
artistas que estavam no Cachambeer entre a noite de terça e a madrugada de hoje não carregam um rótulo com antônimo. Eles são – e eu boto fé – a Geração da Boa Comida, mestres da gastronomia de raiz.

– Não vai embora sem saideira, por favor. Leva uma long neck, pelo menos – obrigou o dono da casa.

Que venha a quarta-feira!

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