set 3, 2014 - Botequim    Sem comentários

E foram todos para o Cachambeer

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Seu Paulo, morador do Méier que se tornou cliente fiel do Castro, chegou no bar por volta das 22h de ontem e não encontrou o Raphael Martins, o Minduba. Quem foi ao Botero, no Mercadinho São José, em Laranjeiras, também não encontrou com o Bruno Magalhães. Aquela turma aguerrida e festeira que bate ponto no Bar do Momo, na Tijuca, não viu o Toninho Laffargue preparar nenhum prato. O mesmo aconteceu com a clientela do vizinho Da Gema: Cadê a Luiza Souza e o Leandro Amaral?

É que, parafraseando o grande Sérgio Augusto, que escreveu o célebre “E foram todos para Paris – Nas pegadas de Hemingway, Fitzgerald e cia”: FORAM TODOS PARA O CACHAMBEER, a morada do Marcelo Novaes e a segunda casa de sua legião de admiradores. Este bar, como se sabe, é uma máquina de servir costela no bafo.

A mesa ainda contou com outros ilustres: a craque Bel Crozera, que dividiu com Toninho as panelas do Momo no Rio Gastronomia; Pedrinho da Muda, figura fantástica do Samba da Ouvidor e da Tijuca; Latino, personagem na noite carioca; e Maneca, o ex-malandro do Estácio que é o melhor amigo do Aldir Blanc (por acaso, aniversariante do dia).

A foto acima (que tem ainda a presença magnífica do Zé, gerente do Cachambeer) não deixa dúvidas: Marcelo conseguiu receber numa mesma noite boa parte dos “chefs” de botequim, que, assim como ele, fazem a diferença no paladar do carioca. Além dos mestres do sabor, estavam ainda os produtores do Rio Gastronomia (no primeiro plano da foto). Era uma espécie de comemoração. Sem aviso, sem publicidade.

O papo começou pelo bem-sucedido evento gastronômico, logo pulou para curiosas histórias de bar.  Afinal, cada um naquela mesa tinha, pelo menos, duas mil para contar. Eu só ouvia, registrava.

O rumo da prosa só perdeu sorrisos quando chegou a hora de falar do imposto sobre a cerveja, recém-colocado goela abaixo do brasileiro. cachambeer04

– Vai aumentar de cinquenta a oitenta centavos a garrafa – comentou Toninho.

Pronto. Foi como álcool na fogueira. O governo aumenta a taxa sobre as bebidas frias, as produtoras do líquido dourado aumentam o preço do produto… e os comerciantes?… o que fazem?

– Não vai ter jeito. Vamos ter que repassar. A culpa não é nossa! Não vai dar para entubar dessa vez. Quem bebe drink vai se dar bem – sentenciou Bruno.

Passado o desabafo, a turma relaxou. Afinal, reunir essa seleção é algo bem raro. Algo que merece alegria. Minduba, como mostra a foto abaixo foi tirar uma rodada incrível de chope. E o Marcelo largou um: “Bebi pra c… hoje”.

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Quem estava em volta, parou. Sentiu na voz do amigo um tom de lamento. Mas antes mesmo que alguém pudesse esboçar reação, ele completou estampando o sorriso habitual: “… graças a Deus!”

– E sabe qual é o melhor?, Marcelo perguntou, para completar de primeira: – Que eu nem almocei hoje… Aí, você bebe um montão… dá uma onda maneira, né?

Gargalhada geral!

Ao contrário dos pensadores que tiveram seus passos mapeados por Sérgio Augusto (no tal livro citado acima), os
artistas que estavam no Cachambeer entre a noite de terça e a madrugada de hoje não carregam um rótulo com antônimo. Eles são – e eu boto fé – a Geração da Boa Comida, mestres da gastronomia de raiz.

– Não vai embora sem saideira, por favor. Leva uma long neck, pelo menos – obrigou o dono da casa.

Que venha a quarta-feira!

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