Archive from outubro, 2014
out. 28, 2014 - Opinião    1 Comentário

Nordeste evita derrota acachapante de Aécio

nordeste

Este é só um jeito de ver as eleições. Os eleitores tucanos do Nordeste brasileiro, numa comparação com a eleição de 2010, mantiveram-se fiel ao PSDB nessas eleições. Quando  Dilma derrotou Serra, há quatro anos, o PSDB conquistou no Nordeste 7.672.382 votos. Este ano, obteve 7.967.846. É quase o mesmo número, mas com o ligeiro acréscimo de 295.464 votos.

O eleitorado cresceu em quatro anos. Domingo, as urnas receberam 6.078.356 votos válidos a mais do que em 2010. No geral, a maior parte foi para Aécio Neves. No Nordeste, Dilma teve, nesta eleição, 2.066.654 votos a mais do que conseguiu em 2010. Só cresceu lá.

“Viu? Nordestino @#$#%#$¨%$. Deu vitória pra Dilma”, dirão os incautos,  provando, mais uma vez, que não são apenas os pobres que precisam de educação.

O Sudeste registrou 45,3 milhões de votos válidos – 56,1% para Aécio. O  Sudeste , caros e caras, representa 42,9% do eleitorado brasileiro. E o Nordeste vem logo atrás, com 28,1 milhões dos votos válidos, ou 26,6%  do eleitorado brasileiro. Se somarmos os votos do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste teremos 43,5 milhões. É menos, portanto, do que tem o Sudeste. O Nordeste sozinho não ganha eleição.

“Mas a maioria de lá vota na Dilma”, dirão os raivosos.

E com razão. É que o Nordeste vota de olho na economia. A vida por lá melhorou um pouco, e não só por causa do Bolsa Família. Aliás, os beneficiários do programa representam 23% dos eleitores do Brasil, nem todos estão no Nordeste. Outros 77% não ganham o benefício, mas também votam!

Em 2002, na primeira eleição de Lula, o PT só não teve maioria dos votos em Alagoas, acredita? Não existia Bolsa Família, e Lula teve 19.422.625  de votos a mais do que José Serra. Uma surra, e sem o “bolsa esmola”.

Voltemos ao presente. O Nordeste deu 20 milhões de votos para Dilma. O  Sudeste deu 25 milhões de votos para Aécio.

Se retirarmos da contagem deste ano os 2.066.654 votos que Dilma teve a  mais no Nordeste (na comparação com 2010), ainda assim ela teria vencido a disputa. E com vantagem de 1.393.309 votos.

Agora, se a turma que vomita ódio estivesse correta e todo o Nordeste tivesse votado em Dilma, a petista teria vencido Aécio Neves com 19,3 milhões de votos a mais. Quase igual ao que o Lula fez com Serra em 2002.

Com os quase 8 milhões de votos do Nordeste, Aécio é o tucano que mais chegou perto de tirar o PT do governo federal. E o que o PSDB fez pela região não chega nem perto do que foi feito PT. É como um amor platônico, portanto.

Os tucanos deveriam dobrar os joelhos e agradecer a “padim Ciço”.

out. 27, 2014 - Opinião    Sem comentários

Cultive amor e ‘Deixa pra lá’

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No trabalho, vejo o Cartola todo dia. Refiro-me, claro, à escultura de uns 30 centímetros (na foto acima) que meu chefe guarda em sua sala como uma bela peça de museu. Cartola desceu Mangueira para encher a cidade de poesia. Teve pouco estudo, mas não era “desinformado”, palavra que tanto ouvimos nessa eleição. Cartola é dono de versos que até hoje passeiam com a gente, uns, inclusive, eu relembro toda vez que o vejo, com seu violão nos braços, sobre o armário do chefe.

Passada a eleição, tão marcada por ataques vis, porém midiáticos, ouço Cartola cantar “Deixa pra lá”.

E compartilho aqui o tal samba. No link abaixo, tem o mestre e Lecy Brandão ao microfone, quarenta anos atrás, época em que pessoas como eu e você não podiam sequer ir às urnas.

A disputa eleitoral que, ufa!, terminou ontem despertou instintos primitivos, aflorou os preconceitos mais bárbaros. Por isso, tenho certeza, lembro agora de “Deixa pra lá”.

Diz o samba: “Deixa, que essa fase é passageira, amanhã será melhor/ E você vai ver que a cidade inteira seu samba sabe de cor”.
Diz mais: “Deixa, não perturbe a sua vida, carnaval já vem aí/Vou brincar com o povo na avenida, descobrindo o que não vi”.

Não canto isso por causa do resultado de ontem. Não é sobre isso que escrevo. “Deixa pra lá” que bate à porta por aqui é para outra questão. Pois penso que todos, tristes ou felizes com o resultado, precisam seguir cobrando dias melhores. E se possível for, quem sabe?, devem reler os significados de verdade, respeito e amizade!

Sou metade de um grão de areia diante do mar de poesia que é Cartola. Sou ninguém capaz de emendar seus versos. Mas, com certa dose de coragem, pego carona neste samba.

Sugiro aos amigos e amigas levados de um lado a outro pela onda de ódio da campanha eleitoral que escutem o poeta de Mangueira. Vale a pena. Vença o mal que depaupera sentimentos e ainda cerra semblantes. Cante sem medo. Não duvide: é melhor cultivar amor e deixar essa raiva de lado. E se a danada insistir em te visitar, lembre-se de Cartola e… “Deixa pra lá”.

 

out. 24, 2014 - Viagem    Sem comentários

Rio Sena: passeio ou caminho?

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Se você for a Paris tenha em mente: você pode usar os barcos do Rio Sena como usa as barcas Rio-Niterói. Calma. Não estou louco. Por favor, acalme-se. Eu explico. É que muita gente pensa em “fazer um passeio de barco pelo Sena”. Claro, lá, #somostodosturistas. Queremos passear. Mas, ao contrário do que acontece nos belos rios de Amsterdã, há barcos no Rio Sena que são um meio de transporte, como as barcas que ligam Rio e Niterói pela Baía de Guanabara. Entendeu?

Há companhias que vendem o bilhete para um passeio pelo Rio Sena (Tem uns que já fazem um pacote incluindo almoço ou jantar). Afinal, Paris é a cidade que mais recebe turistas no mundo. Eles estão preparados para tudo. Embora eu não seja Eduardo Maia, o viajado jornalista que conhece os recantos e encantos deste mundo, deixo aqui uma dica que será útil (e te fará economizar). Isso é importante quando se gasta em euro!

Você pode comprar, num guichês do BatoBus que ficam às margens do rio, um bilhete para usar por um ou dois dias (ou por um ano). (Mais informações pelo www.batobus.com)

O passe de um dia sai por 16 euros. O de dois dias, 18 euros. Mas, anote aí, se você tiver o Navigo, o cartão-bilhete que te permite andar de ônibus, metrô e trem, você terá desconto no BatoBus. O passe por um dia de “passeios” de barco cai para 10 euros. E o de dois dias, despenca para 12 euros. É o mesmo benefício que dão a quem tem carteirinha de estudante.

Para se ter uma ideia, a tradicional companhia Bateaux-Mouches oferece passeios de barco pelo Sena por 13,50 euros. E o cruzeiro dura pouco mais de uma hora.

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O Navigo é o nosso Bilhete Único, só que melhorado, bem melhorado. É superútil se você vai ficar mais de dois dias em Paris e pretende zanzar pela cidade. Você o compra nos guichês do metrô e no aeroporto também (custa uns 17 euros/uma semana) O metrô de Paris, que começou a ser construído em 1900, esculacha o do Rio. Você o usa o tempo todo, vai para todos os cantos. Vale a pena ter o passe por dias e não por viagem (1,70 euro).

Enfim, voltemos ao Rio Sena. O BatoBus tem oito estações. A ordem das paradas é a seguinte: Torre Eiffel, Museu D´Orsay, Saint-Garmain-Des-Prés, Notre Dame, Jardins des Plantes, Hôtel de Ville, Museu do Louvre e Champs-Elysées.

Portanto, com este bilhete, você tem mais uma opção para se locomover pela Cidade Luz. Pode, por exemplo, ir de metrô até o Louvre e, em seguida, pegar o barco até a Torre Eiffel. Depois, sai da torre de barco até a Champs-Elysées. Enfim, faz o trajeto e quantas viagens quiser durante o dia e sem essa de pagar por um hora ou pela passagem de um ponto ao outro.

Daí, você faz um passeio de barco pelo Rio Sena, mas paga o preço de passagem. Já no Rio-Niterói… esquece!

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out. 8, 2014 - Música    1 Comentário

‘Vem, morena’ no metrô do Rio

Veja que sorte. Hoje cedo peguei o metrô para chegar ao Centro do Rio, e três músicos entraram com seus instrumentos no mesmo vagão. Como se quisessem colaborar com o ‪#‎vivaopovonordestino‬ , cantaram “Vem, Morena”, do grande Luiz Gonzaga (veja o vídeo). São independentes, não faziam parte de nenhuma ação da concessionária. Lá estavam, além de batalhando o pão do dia, oferecendo o som que encanta. Todo mundo aplaudiu.

A música brasileira (não falo da que é cantada por brasileiros, refiro-me à música essencialmente brasileira, como a de Gonzagão) é ladra da tristeza, algoz da dor. Ao menos, pra mim. 


Vem, morena, pros meus braços
Vem, morena, vem dançar
Quero ver tu requebrando
Quero ver tu requebrar
Quero ver tu remexendo
‘Resfulego’ da sanfona
‘Inté’ que o sol raiar

Esse teu fungado quente
Bem no pé do meu pescoço
Arrepia o corpo da gente
Faz o ‘véio’ ficar moço
E o coração de repente
Bota o sangue em ‘arvoroço’

Vem, morena, pros meus braços
Vem, morena, vem dançar
Quero ver tu requebrando
Quero ver tu requebrar
Quero ver tu remexendo
‘Resfulego’ da sanfona
Inté que o sol raiar

Esse teu suor ‘sargado’
É gostoso e tem sabor
Pois o teu corpo suado
Com esse cheiro de fulô
Tem um gosto temperado
Dos tempero do amor
Vem, morena, pros meus braços…

Dos tempero do amor
Vem, morena, pros meus braços…

out. 8, 2014 - Viagem    Sem comentários

Música francesa no pôr do sol paraibano

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É sem dúvida uma das coisas mais lindas desse país. O pôr do sol na Praia do Jacaré, em Cabedelo, cidade vizinha de João Pessoa, na Paraíba, é algo inesquecível. A praia, na verdade, é um trecho do Rio Paraíba. Quem assiste à despedida do astro-rei diante daquelas margens vai sempre sorrir e parar no tempo por uns segundos quando se lembrar da vista, aberta às pessoas de todas as raças, credos e classes sociais.

O pôr do sol é obra divina. Mas a cerimônia que acompanha este espetáculo natural é fruto das generosas mentes paraibanas. Viva o povo nordestino!

É, ainda bem!, um programa democrático. No chamado Parque Municipal do Jacaré, há diversos restaurantes, que entram no rio com suas varandas de madeira suspensas por palafitas. Eles recebem os que buscam conforto, comes e bebes.

E quem não quer gastar nada também pode contemplar a despedida do astro-rei. Entre um e outro restaurante, há espaço de frente para o rio. É só chegar e se acomodar.

Completa a festa o emocionante trabalho de Jurandy do Sax, um dos músicos mais famosos na Paraíba. Há uns 30 anos, ele toca ali, com um talento digno de aplausos.

Quando a turma começa a chegar, por volta das 17h, Jurandy entra com seu sax em um barco e começava a navegar à frente do público. Tira do metal de seu instrumento uma suave harmonia: é a “Bolero”, de Ravel.

Quem ouve assim pensa que é a música é um bolero, tipo os da Roberta Miranda, só que cantado pela próxima estrela nordestina, chamada Ravel, que ainda será descoberta pelo Domingão Faustão! Ô, loco, meu! Mas não é, não!

Bolero é o nome da música composta pelo francês Maurice Ravel. Foi feita para um balé, para ser tocada por uma orquestra e apresentada pela primeira vez em 1928. Enfim, a melodia suave e uniforme de “Bolero” embala o pôr do sol do Jacaré há décadas. É lindo, especial, como você pode ver no vídeo abaixo.

O espetáculo é rápido. Por volta das 17h25m, o sol já se foi. Não se atrase! O astro-rei não espera.

A experiência vale muito a pena. Você flutua como se também estivesse no barquinho do Jurandy. A música que sai do sax transmite calma e te faz sair de lá leve, levinho… Obrigado, Paraíba!

A Praia do Jacaré fica pertinho da BR-230 (João Pessoa-Cabedelo), a 25 quilômetros de Tambaú. Quem está em João Pessoa, chega lá num pulo. Cabedelo é perto como se fosse um bairro vizinho.

 

out. 6, 2014 - Opinião    Sem comentários

Liga não, Nordeste!

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A confusão de emoções nessas eleições roubou a vergonha de muitas pessoas daqui do Sul, Nordeste. Fez multiplicar os insultos contra você, terra querida! É maldade. Pura maldade. Você tem encantos, e nem vou falar das praias.

Bem, você peca, Nordeste, na hora de eleger alguns de seus prefeitos e governadores. Esses poderiam mudar sua vida, como mudaram as deles. Mas, quer saber?, você viu quem essa turma pseudoesclarecida elegeu por aqui? Então, Nordeste, ser xingado por eles é até um elogio. É melhor ter um idiota te criticando do que te elogiando. O que sabe um idiota, Nordeste?

Essa gente deveria te agradecer. É clichê, mas quando o Sul Maravilha precisou se erguer, foram teus filhos que, fugindo da fome, vieram pra cá trabalhar. Em Brasília, a mesma coisa. Teu suor está em todas as construções. É verdade: um precisava do outro. Mas, hoje, são os netos de uns deles que estão de punhos cerrados, cheios de ódio e exalando asneiras. E você, Nordeste? Você, como se estivesse revestido com a gentileza dos paraibanos, não devolve na mesma moeda. Isso é lindo! Eles precisam de análise. Você, de chuva.

Quem dera, Nordeste, que a seca que faz São Paulo tremer hoje fosse a mesma que te acompanha há séculos! A vida por aí seria mais suave. Quem dera que os poderosos de outrora tivessem feito tanto pelo Nordeste quanto fizeram por São Paulo, Rio e Brasília. Ainda assim você segue de cabeça erguida. Admiro sua garra!

Recorrer aos teus gênios, Nordeste, torna a brincadeira desigual. Como são esclarecidos os teus gigantes! Viva Suassuna, João Ubaldo, Graciliano, Manuel Bandeira! Viva Jorge Amado! Viva Didi! A benção, Luiz Gonzaga! Chico Anysio, José Wilker, Marco Nanini, meus cumprimentos. Dá-lhe, Chico Sciense, Otto, Gal… Admiro tua música, tua literatura. Coloquei tua arte num altar!

Nas redes sociais, eu sempre vejo alguém reclamando da vida. Tem gente triste por ter quebrado a tela do iPhone novinho, por ter arranhado o carro. Tem gente #chateada porque não consegue emagrecer ou porque a pizzaria perto de casa não entrega depois da meia-noite.

Semanas atrás, no interior da Bahia, eu conheci uma de suas filhas, Nordeste. Ela me contou que o bebê dela passou mal e precisou de um médico. Mãe dedicada, fez o que podia, mas a demora no atendimento foi tamanha que o miúdo não resistiu. A criança, pequena fonte de alegria, não tinha sequer um ano e se foi. Sabe o que aquela mãe me disse quando nos despedimos?: “Obrigado por me ouvir…”.
Admiro tua força, Nordeste!

Quarta agora, dia 8, é Dia do Nordestino. É meu dia também. E essa não é a única coincidência que nos une. Minha raiz faz curva em São José do Egito, o berço imortal da poesia, lá no teu sertão pernambucano. Faço um gosto danado por ser carioca! Mas tenho muito orgulho do teu sangue nas minhas veias, Nordeste. Espere só pra ver: no nosso dia, nas mesmas redes sociais em que hoje transbordam insultos a você, eu vou fazê-los lembrar da importância dos teus filhos. Tudo acompanhado da #vivaopovonordestino ( você aí topa entrar nessa?)

Quem não dá te valor, Nordeste, tem muito a aprender. Liga não!

out. 3, 2014 - Opinião    Sem comentários

Somos nós que vamos às urnas domingo?

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Não tenho nada contra o humor. Pelo contrário. Mas é curioso vê-lo em todas as horas e em doses exageradas. Hoje, entre um e outro post na minha timeline no Facebook, encontro mais sátiras ao debate do que algum comentário digno de leitura. Marina Gonçalves, jornalista como eu, compartilhou um link do jornal espanhol “El País” com matéria sobre o debate. É legal, um resumo interessante do que aconteceu ontem. Só que, considerando as “curtidas”, o post dela, pena!, perdeu de goleada para os posts com “os 30 memes do debate”,” Tema que faltou ao debate: aparelho excretor” ou com a comparação do Levy/Seu Barriga e Eduardo Jorge/Seu Madruga… e por aí vai.

O debate era a hora de prestarmos atenção, de sentirmos falta de assuntos que não foram discutidos, como o Mais Médicos. A categoria foi radicalmente contra a vinda de profissionais estrangeiros, fez um barulho danado. A população beneficiada bateu palmas. E os candidatos não falam nada? Então, creio que devem concordar, correto? Você, médico, que vai votar contra a Dilma não estranhou isso?

Multiplicam-se na internet as reclamações ao país e gente falando mal de político. Portanto, deveríamos ter participado de mais. Alguns debates entre amigos de Facebook até aconteceram, ok. Mas em menor número do que a propagação dos memes. Somos nós que vamos para as urnas domingo?

Eu, por exemplo, por trabalhar em uma empresa de comunicação, permiti-me apenas participar de discussões reservadas. E sei: são poucos os dispostos a esta verdadeira peleja em público. Não por questões profissionais, como a minha, mas por questões, digamos, de saúde. Declarar voto à Dilma, por exemplo, no meu círculo virtual, por exemplo (outra vez), é abrir caminho para críticas, gozações e até insultos. No mínimo, surge alguém e comenta: “Credo”. Em outros, o mesmo aconteceria se o candidato (a) fosse diferente do da maioria. Boa parte fica acanhada diante da agressividade alheia!

É também muito curioso ver pessoas que cobram respeito às minorias vomitando ódio contra o troglodita reacionário da vez. Ou seja: o mal se paga com o mal. Pra mim, desculpem-me, mas esses em questão são iguais, embora rivais de ideias. E isso resume o eleitor que se manifesta por aqui: pessoa apaixonada que se satisfaz com o que está na superfície. O debate em si não é importante, apenas a “sacada”, a “tirada”. Vá lá… concordo que essas são mais fáceis de entender (Seguindo esse raciocínio, descobrimos por que novela faz mais sucesso do que livro. E a culpa não é dos PTralhas ou da TV GLOBO, ok?). Muitos momentos do debate de ontem na TV foram ruins, carente de ideias. É que os candidatos sabem que não precisam de muito para atingir os milhões de eleitores que orbitam à superfície. Aí, cospem farpas e bravatas.

O período eleitoral é a chance de nos aproximarmos mais dos temas relevantes da sociedade. Essa era a chance de aprendermos um pouco mais e abandonarmos de vez os discursos vazios ou os preparados por outras cabeças. Mas o que se vê? Frases cheias de ódio, piadas, piadinhas e piadaças. Perdemos outra vez.

Não me leve a mal. Não sou mal-humorado, juro! Acho saudável fazer piada, é ótimo rir. Tento apenas encontrar a melhor hora para cada coisa.

Por fim, noto que esse Brasil que usa Facebook é mesmo diferente do Brasil lá de fora. No Brasil profundo, onde o sol é mais quente, a presidente lidera as pesquisas. Aqui, figura nas últimas posições. Qual dos dois é o Brasil?

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