Archive from agosto, 2015
ago. 27, 2015 - Feijoada    Sem comentários

Tem feijão bom no Bode Cheiroso

bode

A feijoada do Bar do Bode Cheiroso, na Tijuca, é outra boa opção para o almoço numa sexta-feira na Zona Norte carioca. O boteco é bem simpático e conserva nas paredes aqueles tradicionais azulejos azuis e brancos. Coisa de botequim mesmo, como os do Rio dos anos 1950.

O prato traz as carnes, digamos, clássicas: costela, calabresa, carne seca e lombo. Tudo isso acompanhado por arroz, couve com bacon e pedaços de laranja.

O tempero da casa é muito bom e deixa aquela vontade de pedir mais. Aliás, foi o que fiz. Queria, na verdade, apenas mais umas três rodelinhas de calabresa e um pouquinho do caldo do feijão. Pra lambuzar o arroz, misturar com a farofinha e terminar o almoço feliz.

Mas a generosidade de botequim supera expectativas. Recebi uma tigela cheia até a boca. Eram pedaços de calabresa imersos no feijão. Delícia!

A porção individual custa R$ 23, é servida às sextas e vale muito a pena.

O Bode Cheiroso (ah, o bar se chama mesmo Macaense) fica na Rua General Canabarro 218, Tijuca, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2568-9511.

ago. 23, 2015 - Crônica    Sem comentários

Rio-Miami

passaporte

Um jovem empresário da Tijuca, o querido bairro da Zona Norte carioca, foi, na primeira semana deste mês, ao posto da Polícia Federal no shopping Riosul, em Botafogo. A missão da vez era pegar seu novo passaporte, que acabara de ficar pronto.

A sala da PF é pequena e, naquela manhã, havia poucas pessoas. O sujeito colocou o requerimento sobre a mesa da atendente e buscou um lugar para sentar. No curto caminho, opa!, um rosto conhecido.

Ali, na mesma fila enfrentada pelo empresário, estava a guardadora de carros que trabalha na Praça Afonso Pena, na Tijuca, e sempre “dá uma olhada” no carro dele.

Apesar da alta do dólar, a trabalhadora planeja ir para os EUA. Quer trabalhar lá.

É difícil, mas não impossível. Vejo um Brasil cheio de gente que sonha e realiza.

ago. 12, 2015 - Crônica, Música, Opinião    Sem comentários

Morro da Providência, de Sinhô a Cazuza

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Quando uma ameaça de demolição caiu sobre o Morro da Favela, no Centro do Rio, hoje chamado de Morro da Providência, quem saiu em seu socorro foi o samba. O assunto acirrou os nervos de muita gente na segunda metade da década de 1920, época em que o prefeito Antônio Prado Júnior (1880-1955) entregou ao urbanista Alfred Agache (1875-1959) a missão de remodelar o Rio. Logo o Rio, que já tinha passado por algo parecido em 1922, quando outro prefeito, Carlos Sampaio (1861-1930), começou a demolir o Morro do Castelo, também no Centro. A ferida ainda estava aberta no coração dos cariocas.

Lembrei disso tudo ao ler a nota que saiu hoje na coluna Ancelmo Gois, no GLOBO, sobre a ideia de uns moradores de decorar uma escadaria no Morro da Providência, tal como a Selarón, na Lapa.

Eles pretendem colocar nos degraus da escadaria versos de cantores como Renato Russo e Cazuza. Ao que tudo indica, esqueceram-se de Sinhô. Sei que na comunidade muita gente lembra das histórias do primeiro Rei do Samba, amado por uns, odiado por outros. Até hoje é assim, 85 anos depois de sua morte, completados no último dia 4.

Diferenças à parte, o fato é que, em 1927, Sinhô compôs “A Favela vai abaixo”, gravada por Francisco Alves (1898-1952), um dos cantores mais populares da época.

O jornalista e cronista Francisco Guimarães (1875-1946), que trabalhou em diversos jornais do Rio, conta ter o ouvido o seguinte de Sinhô:

– Meu Tio Guima, eu escrevi esse samba em represália aos muitos que há por aí dizendo mal da Favela, que eu tanto adoro. Ela vai abaixo e eu lhe dou o meu adeus, deixo gravada a minha saudade e a minha gratidão àquela escola onde eu tirei o curso de malandragem.

E Edigar de Alencar (1908-1993), biógrafo de Sinhô, acrescenta, no livro “Nosso Sinhô do samba”, que o bamba fez ainda mais: tomou as dores dos moradores e foi interceder pela não demolição. Procurou um ministro de Estado e lhe pediu que fizesse Prado Júnior mudar de ideia.

O ministro, então, fez graça com o compositor. Queria que ele elaborasse tal pedido em forma de samba. E Sinhô, que já havia composto a música pouco antes, cantou-a baixinho:

“Minha cabrocha, a Favela vai abaixo
Quanta saudade tu terás deste torrão
Da casinha pequenina de madeira
Que nos enche de carinho o coração

Que saudades ao nos lembrarmos das promessas
Que fizemos constantemente na capela
Pra que Deus nunca deixe de olhar
Por nós da malandragem e pelo morro da Favela

Vê agora a ingratidão da humanidade
E o poder da flor sumítica, amarela
Que sem brilho vive pela cidade
Impondo o desabrigo ao nosso povo da Favela”

O ministro abriu um sorriso de aprovação e prometeu interceder junto ao prefeito. O fato é que, 88 anos depois dessa história, o Morro da Favela, como mostra a foto lá do alto, continua no mesmo lugar.

Com todo o respeito aos compositores modernos, mas não é possível que a Providência vai se esquecer de Sinhô.

ago. 11, 2015 - Opinião    Sem comentários

Só mais um pretinho

praia

A história aconteceu há uns dois meses. Um dos meus irmãos estava de passagem pelo Rio e se hospedou por uns dias num apart-hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. Numa noite de quarta, depois de trabalhar até às 22h, lá fui eu encontrá-lo.

Não tinha muito tempo a perder, então fui direto do jornal. Estava vestido como normalmente me visto para ir trabalhar. Sapatos, calça e camisa social de manga comprida dobrada à altura dos cotovelos. Estava, digamos, arrumadinho e levava uma mochila às costas.

Cheguei ao portão do prédio pouco antes das 23h, na agradável orla da Barra da Tijuca (a foto acima mostra a inspiradora vista da varanda).

– Boa noite!
– Boa noite! Queria falar com o Marcos, apartamento 31. Meu nome é Daniel.

A voz era do vigilante que estava numa guarita, toda fechada, bem ao lado do portão de pedestres. Ele demorou uns segundinhos e voltou a falar pelo interfone, num tom mais solto:

– Mas aí… é o quê? É entrega?

Respondi na boa. É recorrente um rapaz de pele escura ir lá fazer entregas. E ser confundido com um outro tipo de trabalhador não é nada demais.

Mas havia ali outra questão. Era uma pequena amostra de como o preconceito racial é enraizado por aqui e como abraça ricos e pobres.

O episódio não me causou qualquer dano, mas fiquei pensando: nessa sociedade, o preto pobre sofre coisa bem pior e… sofre todos os dias!

ago. 9, 2015 - Recado    Sem comentários

Além do espelho

pai

Não vou repetir a frase “eu tenho o melhor pai do mundo”. Nem disparar indireta a quem só presta tributo no dia de hoje. Quero apenas aqui, na frieza desse mundo virtual, mandar um abraço, um carinho a quem já não tem por perto o homenageado do dia, a quem o viu virar saudade.

João Nogueira, talvez quem melhor soube traduzir o lamento do órfão, decifra o arrasador sentimento que é “chutar mal, machucar o dedo e não ter mais o velho para tirar o medo”. Daí a vontade de escrever essas linhas.

E o próprio João, que hoje também é saudade para os dele, conforta em “Além do espelho”, feita com Paulo César Pinheiro. É que muitos de nós somos o resultado dos exemplos dos nossos velhos, nossos espelhos. E João canta:

“A vida é mesmo uma missão/
A morte é uma ilusão/
Só sabe quem viveu/
Pois quando o espelho é bom/
Ninguém jamais morreu”.

Não traz de volta, eu sei. Mas também não deixa morrer. Vale para quem acredita.

ago. 7, 2015 - Opinião    Sem comentários

Os Brasis

serrinha

A foto é de José Roberto Serra​, craque das lentes, e foi publicada hoje no jornal O GLOBO. Ele conseguiu, em um clique, captar os Brasis. Essa foto tem alma!

Parabéns, Serrinha!

 

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