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nov 21, 2016 - Música    Sem comentários

No Centro da Música Carioca, Dorina canta Aldir Blanc sob aplausos

dorina

Antes de começar o show “Dorina canta sambas de Aldir e ouvir”, em homenagem aos 70 anos de Aldir Blanc, completados em setembro passado, Dorina, no palco do Centro da Música Carioca, na Tijuca, sábado passado, antecipa: “esse é o Aldir das paixões, o Aldir das traições, o Aldir da solidão”. São temas recorrentes nos versos do mestre-sala das letras.

Aldir escreve o que nenhum poeta parecer ter coragem de botar num papel. Mas, depois que Aldir coloca, todo mundo concorda que a tradução, a do sentimento, é real, necessária, no ponto certo. Aldir Blanc enxerga na escuridão. Quase tudo que ele descreve é efeito da falta de amor. Aldir alerta. Escuta quem pode, guarda quem tem juízo.

O mestre, que prefere a reclusão do lar, não foi às ruas comemorar seus 70 anos. Dorina – e outros também, diga-se – tratou de transformar a data num evento que já atravessa meses. Um show, um verdadeiro show. É o efeito Aldir.

Dorina é corajosa. Colocou no repertório uma música que ficou famosa no Brasil inteiro na voz de Nana Caymmi, a “Suave veneno”, parceria com Cristóvão Bastos. É difícil cantar depois de Nana. Mas isso não parece ter intimidado Dorina. Ela deu ao clássico uma nova e linda interpretação, delicada e poderosa. Terminou coberta de aplausos e mereceu cada um deles.

Dorina fez mais. Gravou uma inédita. “Saindo à francesa”, a música que Aldir, Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila fizeram em homenagem a Maurício Tapajós, quando da morte do grande músico e compositor, em 1995.  Aldir, carinhosamente, chamava-o de Gordo. E é assim que a joia começa: “Gordo,/ Ligaram para mim sobre a hora do enterro/ Foi trote. Isso tudo não passa de um erro/ Me encontra com o riso de sempre no bar”.

Esse é o Aldir da esperança que agora Dorina canta pra gente. Ninguém passa incólume depois de “Saindo à francesa”. Ela termina assim: “Ah! Eu vou te procurar num montão de espelunca/ E só descansar no dia de São Nunca/ Se Deus confessar que meu Gordo dormiu”.

Até quem não conheceu Tapajós sente saudade. E transfere a tal esperança para um outro ombro amigo que os olhos já não podem ver. E isso emociona tanto quanto a dor da “enfermeira do Salgado Filho”.

Essa inédita saiu da gaveta para ganhar vida na voz de Dorina. E, de quebra, a eternidade. É que “Dorina canta sambas de Aldir e ouvir”, que tem clássicos – não todos – e umas pouco conhecidas do mestre, não se apaga com o fechar das cortinas. Segue agora para as bolachas de CD e DVD, em breve à mão dos mortais.

E, assim, na festa do menino do Estácio que fez 70 anos, todo mundo saiu ganhando. Obrigado, Dorina. Vale – e sempre valerá – muito a pena Aldir.

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