mar 14, 2017 - Cinedocumentário    Sem comentários

Quem se lembra da Vila Autódromo, no Rio?

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Estão se completando três anos que a Vila Autódromo, a favela carioca, começou a ser removida por ser vizinha do terreno onde foi construído o Parque Olímpico, na Barra. Lembrei do caso, dia destes, ao assistir ao documentário “À espera da medalha”, de Lucas Amarildo, um trabalho de conclusão de curso universitário que merece a telona. O filme apresenta um dado que chama a atenção. A antiga gestão da prefeitura foi a que mais removeu pessoas em toda a história da cidade do Rio de Janeiro: 67 mil. Em segundo lugar, ficou a de Carlos Lacerda (1961-1965), com 30 mil pessoas removidas. Pereira Passos (1902-1906) vem em terceiro: 20 mil pessoas.

O tema é polêmico. As remoções podem ser boas, mas também podem ser péssimas. Quem assiste ao doc fica com a sensação de que os moradores foram enganados pela prefeitura do Rio. Eles receberam promessa de que ganhariam casas novas. Mas os apartamentos do Parque Carioca, para onde boa parte dos moradores foi transferida, são do programa Minha Casa Minha Vida. Alguém tem que pagar por eles. Parece que será o governo federal, mas a cobrança ainda chega aos que vivem lá, meses e meses após a Rio-2016. E eles não estão pagando as parcelas. Depois de ver o filme, achei esta matéria da EBC. Nela, o eletrotécnico Orlando Santos, que trocou a favela pelo condomínio, explica a consequência. É que “no lugar de um documento de posse, (eles têm) uma dívida de R$ 77 mil, além de um compromisso de não vender ou repassar o imóvel por dez anos.”

– Quando as pessoas vão fazer compra em lojas grandes, não necessariamente elas estão com nome restringido por SPC ou Serasa. Mas no levantamento verificam que tem uma dívida muito grande no nome das pessoas, as lojas decidem se a pessoa pode se tornar cliente. A possibilidade de conseguir fazer um empréstimo ou outra compra seria muito maior se não tivesse uma dívida no nome. Eu não estou pagando, mas a dívida é real.

O jornalismo gera notícias (e é bom de memória). Na época, registrou as remoções. Só que notícia é como peça de um quebra-cabeça. Ver apenas uma pode não te dar ideia do todo. Agora, o cinema, mais uma vez, junta essas peças num filme, o documentário “À espera da medalha”. E o quadro é feio.

Você pode ver o filme pelo Youtube:

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Ah… Junto com outros registros das remoções, o filme será exibido, sábado agora, às 16h, na Vila Autódromo.

Crédito da foto: Kátia Carvalho.

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