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dez. 9, 2015 - Botequim, Opinião, Recado    Sem comentários

O X do problema

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É bonito quando o Poder Público faz uma estátua em memória de alguém importante. Tem algo de reconhecimento, um quê de gratidão. Mas se não é possível protegê-las, por que fazer novas? Dia destes, atacaram, outra vez, a estátua de Carlos Drummond, em Copacabana, e, na madrugada de ontem, o monumento a Noel Rosa, em Vila Isabel. Aliás, sexta agora se completam 105 anos do nascimento do autor de “O X do problema”, data em que os admiradores de Noel vão à estátua prestar homenagens.

Este ano, o Rio está gastando R$ 1,5 milhão apenas para repor peças furtadas ou danificadas dos monumentos cariocas.

Fora os regulares R$ 2,5 milhões usados, a cada ano, para a manutenção.

Entre chafarizes e monumentos, o Rio tem hoje 1.200 peças que decoram a cidade e ajudam a contar nossas histórias. A Guarda Municipal existe para cuidar do patrimônio público, não é? Pois bem, em vez de gastar mais de R$ 1 milhão por ano com restauração e peças de reposição, não seria menos custoso escalar um grupo de guardas para vigiar essas preciosidades quando a noite cai? Não precisa ficar parado, não.

É fato que nessa vida – e ainda mais nos dias de hoje – há coisas mais duras, mais revoltantes e que mereçam mais nossa indignação e tempo. Mas esses ataques mexem.

Porque esses vândalos não fizeram mal só à obra do escultor Joás Pereira do Passos, ao bairro e ao cofre público. Eles foram lá e, da estátua do garçom (um patrimônio da Humanidade, diga-se), arrancaram o braço esquerdo; da estátua de Noel Rosa, levaram o braço esquerdo e parte da perna direita.

De quem admira a obra do Poeta da Vila, atingiram o coração.

mar. 31, 2015 - Botequim, Crônica    Sem comentários

O ladrão de coxinha

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O sujeito chegou no Bar da Gema, na Tijuca, e pediu uma coxinha de galinha. Era uma terça-feira, o único dia da semana que a casa serve esse pedaço de frenesi. Só que já não tinha mais. Uns acham que o boteco “não se prepara”. Não é isso. A massa da coxinha do Da Gema é feita no dia. Jamais é congelada. Leva muito leite e pouca farinha. Isso garante o sabor incomparável. Mas é preciso ter muito braço para preparar os quitutes a ponto de atender a todos os pedidos. Nem sempre dá.

O sujeito ficou amuado. Normal. Esperou a semana inteira, mas não beliscou a saborosa. Para não perder a viagem, pediu cerveja e pastéis. Mal sabia do que estava por vir.

É que o Da Gema é daqueles bares frequentados por um público fiel, gente que vai toda semana e costuma ligar antes para reservar… coxinha.

Foi o que aconteceu naquela terça. Um cliente chegou, cumprimentou a Luiza, o Leandro e se sentou, não colado, mas próximo ao sujeito amuado. Dez minutos depois, como naqueles filmes românticos, nos quais a cena segue em câmera lenta e uma moça bonita anda, graciosa, em meio à fumaça, um dos garçons trouxe, numa bandejinha, a tal da coxinha.

Despertou naquele homem os mais diversos sentimentos. “Acabou e agora tem? Como assim?”. Sem encontrar a resposta para as perguntas que surgiram naqueles segundos e sem conseguir conter a fúria que lhe tomara de assalto o sossego, o ex-amuado se levantou, foi na direção do garçom e… “passa pra cááááááá”.

Isso mesmo. O cara, em pleno salão do Da Gema, roubou, na maior mão grande, a coxinha alheia. Com a inigualável nas mãos, ele voltou para a mesinha onde estava. A plateia ficou incrédula. O homem se sentou, mantendo o olhar fixo no garçom, que estava estático, perplexo, sem reação. Depois olhou para o cliente. Olhou para os demais e… “nhac”… saciou a fome de comer a coxinha do Da Gema. Ninguém falou nada.

O que se diz é que foi depois desse episódio que o Leandro e a Luiza resolveram pintar, numa parede do bar, justamente onde o ladrão de coxinha estava sentado, um verso do profeta carioca: “Gentileza gera gentileza”.

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Mês passado, completaram-se dois anos que essa coxinha dá sabor às nossas terças. Valeu, Da Gema!

set. 26, 2014 - Botequim    Sem comentários

Gorduchinha, a nova delícia do Da Gema

carne

Esse blog não é sobre botequim, mas passeia por eles. Não espere ler aqui críticas técnicas de gastronomia. Proponho-me apenas a exaltar os sabores que encontro por aí. Ah, também não sou Berg Silva, que sabe fotografar os quitutes com qualidade. Eu apenas faço um registro. E este aí de cima é da Gorduchinha, uma das quatro novidades do cardápio do Bar da Gema, na Tijuca. Provei ontem. É nota 10!

Gorduchinha é um prato com cinco bolotas de carne. Não dá pra dizer que são bolinhas. Seria singelo demais. Bolinhas são aquelas miudezas de queijo servidas em festa de criança. No Da Gema, essas bolas de carne são maciças, suculentas e grandes. Graciosamente empanadas no queijo parmesão e mergulhadas no molho de tomate da casa. Cá entre nós, esse molho é brincadeira, excede em sabor. Se, após comer a carne, sobrar molho no prato, não se acanhe e peça uns pedaços de pão. Encharque-os no molho, contemple, aproveite! Lembre-se que você está num boteco. E nesses refúgios, não se despreza o molho que sai da cozinha. Por fim, folhas de manjericão decoram a iguaria. É uma mistura de sensações e custa R$ 35.

O que o Leandro Amaral, que comanda a casa e os fogões com a sócia Luiza Souza, conseguiu com este petisco foi transformar uma receita caseira num prato com status de principal. A carne é temperada com sal, alho, pimenta o reino e hortelã. E o ponto certo da Gorduchinha é escravo das mãos do Leandro.

Ah… ontem foi dia de Bistrôquim no Bar da Gema, um evento semanal, sempre às quintas, quando Leandro e Luiza preparam um prato especial. O de ontem, que aparece na foto abaixo como se estivesse flutuando no balcão, foi peito de boi acebolado, batata cozida e farofa com carne seca. Também tem gosto de quero mais!

O Bar da Gema fica na Rua Barão de Mesquita, 615 – loja C e D, na Tijuca (não abre às segundas). É ao lado do 6º BPM. Tel.: (21) 3549-0857. Esta semana, a casa estreou no Instagram. Quem quiser seguir, é o @bardagema

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set. 3, 2014 - Botequim    Sem comentários

E foram todos para o Cachambeer

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Seu Paulo, morador do Méier que se tornou cliente fiel do Castro, chegou no bar por volta das 22h de ontem e não encontrou o Raphael Martins, o Minduba. Quem foi ao Botero, no Mercadinho São José, em Laranjeiras, também não encontrou com o Bruno Magalhães. Aquela turma aguerrida e festeira que bate ponto no Bar do Momo, na Tijuca, não viu o Toninho Laffargue preparar nenhum prato. O mesmo aconteceu com a clientela do vizinho Da Gema: Cadê a Luiza Souza e o Leandro Amaral?

É que, parafraseando o grande Sérgio Augusto, que escreveu o célebre “E foram todos para Paris – Nas pegadas de Hemingway, Fitzgerald e cia”: FORAM TODOS PARA O CACHAMBEER, a morada do Marcelo Novaes e a segunda casa de sua legião de admiradores. Este bar, como se sabe, é uma máquina de servir costela no bafo.

A mesa ainda contou com outros ilustres: a craque Bel Crozera, que dividiu com Toninho as panelas do Momo no Rio Gastronomia; Pedrinho da Muda, figura fantástica do Samba da Ouvidor e da Tijuca; Latino, personagem na noite carioca; e Maneca, o ex-malandro do Estácio que é o melhor amigo do Aldir Blanc (por acaso, aniversariante do dia).

A foto acima (que tem ainda a presença magnífica do Zé, gerente do Cachambeer) não deixa dúvidas: Marcelo conseguiu receber numa mesma noite boa parte dos “chefs” de botequim, que, assim como ele, fazem a diferença no paladar do carioca. Além dos mestres do sabor, estavam ainda os produtores do Rio Gastronomia (no primeiro plano da foto). Era uma espécie de comemoração. Sem aviso, sem publicidade.

O papo começou pelo bem-sucedido evento gastronômico, logo pulou para curiosas histórias de bar.  Afinal, cada um naquela mesa tinha, pelo menos, duas mil para contar. Eu só ouvia, registrava.

O rumo da prosa só perdeu sorrisos quando chegou a hora de falar do imposto sobre a cerveja, recém-colocado goela abaixo do brasileiro. cachambeer04

– Vai aumentar de cinquenta a oitenta centavos a garrafa – comentou Toninho.

Pronto. Foi como álcool na fogueira. O governo aumenta a taxa sobre as bebidas frias, as produtoras do líquido dourado aumentam o preço do produto… e os comerciantes?… o que fazem?

– Não vai ter jeito. Vamos ter que repassar. A culpa não é nossa! Não vai dar para entubar dessa vez. Quem bebe drink vai se dar bem – sentenciou Bruno.

Passado o desabafo, a turma relaxou. Afinal, reunir essa seleção é algo bem raro. Algo que merece alegria. Minduba, como mostra a foto abaixo foi tirar uma rodada incrível de chope. E o Marcelo largou um: “Bebi pra c… hoje”.

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Quem estava em volta, parou. Sentiu na voz do amigo um tom de lamento. Mas antes mesmo que alguém pudesse esboçar reação, ele completou estampando o sorriso habitual: “… graças a Deus!”

– E sabe qual é o melhor?, Marcelo perguntou, para completar de primeira: – Que eu nem almocei hoje… Aí, você bebe um montão… dá uma onda maneira, né?

Gargalhada geral!

Ao contrário dos pensadores que tiveram seus passos mapeados por Sérgio Augusto (no tal livro citado acima), os
artistas que estavam no Cachambeer entre a noite de terça e a madrugada de hoje não carregam um rótulo com antônimo. Eles são – e eu boto fé – a Geração da Boa Comida, mestres da gastronomia de raiz.

– Não vai embora sem saideira, por favor. Leva uma long neck, pelo menos – obrigou o dono da casa.

Que venha a quarta-feira!

jul. 28, 2014 - Botequim    Sem comentários

A volta da Confraria do Bode Cheiroso

A Confraria do Bode Cheiroso vai voltar a se reunir. Criada em 1978 por frequentadores do Bar Macaense, na Rua General Canabarro, na Tijuca, ela fez tanto sucesso que, informalmente, emprestou seu nome ao boteco. Hoje, o Macaense é muito mais conhecido como Bar do Bode Cheiroso, ou simplesmente “Bode”. Só que os confrades deixaram de se reunir em 2006. A fama, porém, permanece até hoje.

E agora, com o “Bode” em novas mãos, a confraria será retomada. Em janeiro deste ano, os irmãos Leonardo, de 30 anos, e Emanuella Ribeiro, de 37, compraram a parte que cabia a dois tios. Netos do comerciante Antônio Ribeiro – dono do botequim de 1945 até 1987, quando faleceu -, Leonardo, o Lelê, e Emanuella vão aos poucos dando nova cara ao lugar.

Depois de trocarem as velhas geladeiras por novas e acrescentarem o pernil (refeição ou petisco) ao cardápio, os irmãos prometem ressuscitar a Confraria do Bode Cheiroso, o que deve acontecer até o final do ano. Lelê explica:

– Já comecei a convocar os antigos confrades. Todos estão sendo favoráveis à volta da confraria. Primeiramente, quero começar devagar, pra gente poder voltar a sentir o clima dos eventos. A ideia é fazer um sábado por mês, como antigamente.

Aliás, assim como o Cachambeer, Bar da Gema e, entre outros, o Bar do Momo, famosos botequins do Rio, o Bode Cheiroso tem agora sua própria camiseta, que está à venda no bar. No vídeo, veja abaixo, Lelê conta como surgiu a ideia:

 

jul. 24, 2014 - Botequim    Sem comentários

A harmonização entre o Bar do Momo e a Duas Cabeças

O Bar do Momo, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, começa a vender hoje quatro rótulos da 2Cabeças, a microcervejaria carioca. São eles: Funk Ipa, Maracujipa, Hi 5 e Caramba. Trata-se de uma medida ousada, já que o Bar do Momo nunca se propôs a ser uma delicatessen ou um loja especializada em cerveja artesanal. Às 19h, inclusive, haverá uma festa para celebrar a parceria.

– Queremos trazer a cerveja artesanal para o botequim. Acho importante democratizar esse tipo de bebida. E aqui nós temos público para beber essas cervejas – explica Toninho.

Atendendo a um pedido deste blog, Toninho e Bernardo Couto, da 2Cabeças, elaboraram uma harmonização entre um petisco do Bar do Momo e um dos rótulos da cervejaria. Couto explica a mistura de sabores.

– Ela é uma cerveja com pouco corpo, mas com um amargor marcante. Esse caráter de lúpulo vai ajudar a limpar a boca em relação à gordura do bolinho.

Veja a harmonização no vídeo e saiba qual cerveja da 2Cabeças combina com o famoso bolinho de arroz do Momo.

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