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jan 10, 2017 - Cinema    Sem comentários

# NÃO SOMOS TODOS DANIEL BLAKE

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A cruzada de Daniel Blake é semelhante a da maioria dos brasileiros. Dura, por vezes angustiante, por vezes esperançosa. O que Daniel Blake busca? Proteção social e seus direitos. Quer dignidade, respeito. Falo do personagem do grande Ken Loach, o diretor britânico que aos 80 anos de vida deu ao mundo um filme necessário. “Eu, Daniel Blake” está nos cinemas. Arruma um tempo, vá lá ver.

Ele é um carpinteiro, de 59 anos, que sofre um ataque cardíaco e é afastado do trabalho. Daniel Blake precisa da ajuda do governo para ter o que comer, para pagar as contas. É em torno da luta contra a burocracia para receber o benefício – algo demonizado por aqui – que o filme se desenrola. E nesse caminho, Blake ainda conhece uma jovem e seus dois filhos pequenos, que tão pobres quanto ele, sobrevivem como dá. Os quatros criam um lindo laço fraterno, como muitos de nós tecemos com quem não é da nossa família, mas… do nosso coração.

A história de Daniel Blake dá um nó na garganta ao expor como somos frágeis diante de um Estado que engorda com o nosso suor, como somos insignificantes aos olhos do sistema. O filme se passa na Inglaterra, entretanto aqui eu vi repórteres veteranos se aposentando na pobreza. Adoecendo e precisando da solidariedade de colegas de trabalho para viver.

Eu vi pais e tios de amigos perdendo o emprego e, com ele, o rumo. Aqui, eu vejo colegas preocupados com o futuro.

Mas aqui não somos todos Daniel Blake. Somos ainda mais impotentes.

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