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jul. 20, 2015 - Viagem    Sem comentários

Um passeio na cervejaria belga Cantillon

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Para quem gosta de cerveja, aí vai uma dica na Bélgica: visitar Brasserie Cantillon, em Bruxelas. Nesse país encantador você terá muitas opções de cervejaria, mas a Cantillon é um pouco diferente.

É uma cervejaria familiar e bem menor que as famosas da Bélgica. A Cantillon produz cervejas no estilo Lambic, aquelas de fermentação espontânea. Acho que é o estilo que menos gosto. Apesar disso, encarei as tulipas. Vale a pena experimentar e saber se te agrada. Posso estar falando besteira, mas a impressão é que as lambics são “cervejas salgadas”. Um amigo que entende do assunto diz que gostar das lambics é uma evolução do paladar. Enfim…

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Adaptada ao atual “sistema de visitas a cervejarias”, a Cantillon abre suas dependências, tem um bar para degustação (acima) e uma lojinha para vender camisetas, casacos etc com sua marca.

Entre uma sala e outra, você passa por uma espécie de depósito de barris. Num deles, veja abaixo, está escrito, em francês, algo como: “O tempo não respeita o que é feito sem ele”. Maneiro, né?

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Ah… uma história interessante que ouvi por lá! Se algo cair no tanque de resfriamento, seja um inseto (!!) ou os tais microorganismos selvagens, por lá vai ficar. Esse tanque é o que recebe o mosto quente e fica ali para resfriar e seguir o processo de produção. Mas isso não tem relação com o sabor lambic.

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A Cantillon fica perto do centro de Bruxelas, na Rua Gheude 56, em Anderlecht. A estação de metrô Clemenceau é a mais próxima de lá.

Um brinde!

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maio 13, 2015 - Viagem    Sem comentários

Uma feira e muitos queijos em Amsterdã

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Erra e erra muito quem acha que Amsterdã, a capital da Holanda, é apenas maconha ou a terra de corpos que se exibem em vitrines. Amsterdã é muito mais do que isso. Um grande exemplo é a Albert Cuyp Market, uma feira ao ar livre na Albert Cuypstraat, no bairro De Pijp, criada em 1905. Quem gosta de ir ao mercado ou na feira vai adorar esse lugar.
Ela funciona de segunda a sábado, das 9h30min até umas 17h. Mas se chover, nem vá. E pode ser que, no inverno, por causa do frio, ela termine mais cedo. Para chegar lá é fácil. É só pegar o VLT (veículos leve sobre trilhos), que lá eles chamam de Tram. Os de número 16 e 24, saindo da Centraal Station, que fica no centro de Amsterdã, passam pertinho. Basta saltar na Ruysdaelstraat, atravessar o canal e andar um pouquinho.
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A Rua Albert Cuyp (straat = rua em holandês) é comprida, e a feira se estende por cerca de um quilômetro. Nela, você encontra de tudo: flores, souvenir, roupas, sapatos, bolsas, temperos, verduras, peixes, frutas e, claro, comida. Como em quase toda Amsterdã, a Albert Cuyp é cercada por prédios em tom avermelhado, uma marca da cidade. É lindo!
As barracas de chocolate são uma grande atração. Há variados sabores, combinações e formatos (uns safadinhos, inclusive).
Pode-se comprar suco de laranja (copo de 300 ml) por um euro e experimentar as delícias daquela terra pagando bem pouco. A Albert Cuyp Market é conhecido pelos preços mais em conta.
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As barraquinhas de frios e embutidos (salame, presunto, salsicha etc) são tentadoras, assim como as de queijos, acepipe que gosto muito. Aliás, o cozinheiro de mão cheia Cezar Cavaliere me aconselhou a não comparar os queijos da França, onde ele estudou, com os da Holanda. Pois bem, não farei isso. Até porque não provei todos, e gosto é pessoal demais.
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Porém, deixo aqui algumas linhas. Os holandeses são um dos maiores exportadores de queijo do mundo, sabem muito bem fazer essa iguaria. Além de oferecerem aqueles clássicos, como Edam, Gouda e Maasdammer, também têm queijos com ervas (coisa que a gente vê por aqui), pimenta, alho, entre outros sabores. Tem queijo defumado defumado e outros tipos raramente vistos neste lado do oceano.
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É interessante ver que uns têm uma casca dura, mas são supermacios por dentro. Tem queijo feito com leite de cabra, de vaca, de ovelha. Não à toa, a Holanda também é conhecida como Terra do Queijo. Lá na feira, eles são vendidos em pedaços (por peso) ou inteiros. Uns em formato de bola ou redondos.
Bem, paladar é particular. Um queijo que gostei pode parecer horrível para você. O que vale a pena mesmo é ir lá, passar nas barraquinhas, comprar pedacinhos de vários queijos e provar enquanto se caminha pela feira.
Saúde e paz!
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mar. 21, 2015 - Viagem    Sem comentários

São José do Egito-PE, o berço da poesia

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São José do Egito é uma pequena cidade pernambucana que tem pouco mais de 33 mil habitantes. Ela não está nos roteiros turísticos, mas merece uma visita. Localizada na região de Pajeú, São José do Egito tem as características de todos os municípios da caatinga: ar seco, terra clara, algum verde e um lindo céu azul.

As cidades do sertão podem ser semelhantes, mas só São José do Egito é o Berço Imortal da Poesia. A miúda pernambucana tem seu charme, tem cultura. Por lá, são famosas as rodas de poesia e as noites de forró. Quem mora no entorno, inclusive, na capital, indica.

Mas um aviso: São José do Egito só costuma ter atrações a partir de quinta-feira. A qualquer hora e dia você pode visitar o Beco de Laura (acima), espécie de calçadão, cujas paredes tem desenhos e versos dos artistas da cidade: Dimas Batista, Afonso Pequeno, Manoel Filó e, entre outros, Nenem Patriota. Tem a igreja de São José o monumento ao poeta do sertão (veja abaixo). Mas o bares e a música só a partir de quinta.

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Tudo é muito simples em São José do Egito. Quando estive lá, não sabia onde ficaria. Parei numa farmácia para pedir sugestões. E o caixa:

– Mas você quer gastar muito ou pouco?
– Não sei amigo. Qual o melhor hotel da cidade?
– É o Central. É mais caro, vixi!

Fui até o tal hotel. Fica bem na avenida central da cidade, que deve ter um quilômetro de extensão. Não tinha elevador e a diária custava R$ 100. Fique pensando em qual seria o valor do mais barato?

O comércio da cidade é semelhante ao de um bairro pequeno da Zona Norte carioca. Em São José se come bem pagando bem pouco. Um suco de laranja, por exemplo, custava R$ 2,50 no fim no ano passado. No Rio, sai por R$ 7.

Ah… o bar mais famoso de lá é o do Saddam, que costuma receber os poetas, cancioneiros, forrozeiros e, claro, os bêbados da região.

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Esses versos de Nenen Patriota, no Beco de Laura, me deram de orgulho. Diz lá: “Quem nasceu neste berço encantador tem no sangue os encantos culturais, os costumes, respostas, ideais e perfil de guerreiro trovador”.

Não nasci naquele berço, mas meu avô paterno sim. Daí o orgulho. Por causa dele, corre nas minhas veias o sangue do trovador, vestígios do Berço Imortal da Poesia.

Se vovô estivesse vivo, estaria fazendo hoje 98 anos. Saudade! Saudade de muita coisas, como do tempo em que recorria à memoria dele para conhecer o passado!

jan. 18, 2015 - Viagem    Sem comentários

Le Dôme, uma boa mesa em Paris

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Cumpro agora o que prometi dias atrás: escrever sobre o Le Dôme Café  (ou Café du Dôme), o restaurante, com balcão de bar, que a Geração Perdida frequentou na Paris dos anos 1920, 1930.

Bem, eu quis conhecer o lugar após ler “Paris é uma festa”, de Ernest Hemingway (1899–1961). O livro “E foram todos para Paris”, do jornalista Sérgio Augusto, lista os lugares que Hemingway e cia frequentavam naqueles anos dourados e que existem até hoje. O Le Dôme, claro, está entre eles. Vale a pena ler os dois.

O Le Dôme parece ter sido criado para brilhar. Fica, veja só, num dos bairros mais charmosos de Paris, Montparnasse (segue o endereço completo – 108, bd du Montparnasse, 75014).

Ele abriu as portas em 1898 e, na década seguinte, já era conhecido por atrair intelectuais. Paul Gaugin (1948-1903), o grande pintor, por exemplo, também frequentou aquelas mesas. Aliás, é vizinho do também famoso La Rotonde.

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A iluminação é propositalmente escassa, e a decoração lembra os tempos antigos. É bem confortável e agradável. A casa, hoje, é especializada em frutos do mar. Quando fui, em quase todas as mesas, estavam degustando ostras e familiares.

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Nas paredes do corredorzinho que leva até o balcão há fotos de frequentadores seus ilustres, como Pablo Picasso (1881-1973). Fiz uma (abaixo) que reproduz a que registra o encontro, em 1956, entre Hemingway e Martine Carol (1920-1967), a atriz francesa.

Desde o final do século passado, o Le Dôme deixou de ser ponto de encontro de intelectuais boêmios e um bar. Transformou-se num restaurante chique. Mas vale a visita.

Há muitas opções no cardápio, não só peixe. E serve taça de vinho a 5 euros. Dá pra sentar, pedir uma tacinha e viajar no tempo.

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out. 24, 2014 - Viagem    Sem comentários

Rio Sena: passeio ou caminho?

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Se você for a Paris tenha em mente: você pode usar os barcos do Rio Sena como usa as barcas Rio-Niterói. Calma. Não estou louco. Por favor, acalme-se. Eu explico. É que muita gente pensa em “fazer um passeio de barco pelo Sena”. Claro, lá, #somostodosturistas. Queremos passear. Mas, ao contrário do que acontece nos belos rios de Amsterdã, há barcos no Rio Sena que são um meio de transporte, como as barcas que ligam Rio e Niterói pela Baía de Guanabara. Entendeu?

Há companhias que vendem o bilhete para um passeio pelo Rio Sena (Tem uns que já fazem um pacote incluindo almoço ou jantar). Afinal, Paris é a cidade que mais recebe turistas no mundo. Eles estão preparados para tudo. Embora eu não seja Eduardo Maia, o viajado jornalista que conhece os recantos e encantos deste mundo, deixo aqui uma dica que será útil (e te fará economizar). Isso é importante quando se gasta em euro!

Você pode comprar, num guichês do BatoBus que ficam às margens do rio, um bilhete para usar por um ou dois dias (ou por um ano). (Mais informações pelo www.batobus.com)

O passe de um dia sai por 16 euros. O de dois dias, 18 euros. Mas, anote aí, se você tiver o Navigo, o cartão-bilhete que te permite andar de ônibus, metrô e trem, você terá desconto no BatoBus. O passe por um dia de “passeios” de barco cai para 10 euros. E o de dois dias, despenca para 12 euros. É o mesmo benefício que dão a quem tem carteirinha de estudante.

Para se ter uma ideia, a tradicional companhia Bateaux-Mouches oferece passeios de barco pelo Sena por 13,50 euros. E o cruzeiro dura pouco mais de uma hora.

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O Navigo é o nosso Bilhete Único, só que melhorado, bem melhorado. É superútil se você vai ficar mais de dois dias em Paris e pretende zanzar pela cidade. Você o compra nos guichês do metrô e no aeroporto também (custa uns 17 euros/uma semana) O metrô de Paris, que começou a ser construído em 1900, esculacha o do Rio. Você o usa o tempo todo, vai para todos os cantos. Vale a pena ter o passe por dias e não por viagem (1,70 euro).

Enfim, voltemos ao Rio Sena. O BatoBus tem oito estações. A ordem das paradas é a seguinte: Torre Eiffel, Museu D´Orsay, Saint-Garmain-Des-Prés, Notre Dame, Jardins des Plantes, Hôtel de Ville, Museu do Louvre e Champs-Elysées.

Portanto, com este bilhete, você tem mais uma opção para se locomover pela Cidade Luz. Pode, por exemplo, ir de metrô até o Louvre e, em seguida, pegar o barco até a Torre Eiffel. Depois, sai da torre de barco até a Champs-Elysées. Enfim, faz o trajeto e quantas viagens quiser durante o dia e sem essa de pagar por um hora ou pela passagem de um ponto ao outro.

Daí, você faz um passeio de barco pelo Rio Sena, mas paga o preço de passagem. Já no Rio-Niterói… esquece!

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out. 8, 2014 - Viagem    Sem comentários

Música francesa no pôr do sol paraibano

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É sem dúvida uma das coisas mais lindas desse país. O pôr do sol na Praia do Jacaré, em Cabedelo, cidade vizinha de João Pessoa, na Paraíba, é algo inesquecível. A praia, na verdade, é um trecho do Rio Paraíba. Quem assiste à despedida do astro-rei diante daquelas margens vai sempre sorrir e parar no tempo por uns segundos quando se lembrar da vista, aberta às pessoas de todas as raças, credos e classes sociais.

O pôr do sol é obra divina. Mas a cerimônia que acompanha este espetáculo natural é fruto das generosas mentes paraibanas. Viva o povo nordestino!

É, ainda bem!, um programa democrático. No chamado Parque Municipal do Jacaré, há diversos restaurantes, que entram no rio com suas varandas de madeira suspensas por palafitas. Eles recebem os que buscam conforto, comes e bebes.

E quem não quer gastar nada também pode contemplar a despedida do astro-rei. Entre um e outro restaurante, há espaço de frente para o rio. É só chegar e se acomodar.

Completa a festa o emocionante trabalho de Jurandy do Sax, um dos músicos mais famosos na Paraíba. Há uns 30 anos, ele toca ali, com um talento digno de aplausos.

Quando a turma começa a chegar, por volta das 17h, Jurandy entra com seu sax em um barco e começava a navegar à frente do público. Tira do metal de seu instrumento uma suave harmonia: é a “Bolero”, de Ravel.

Quem ouve assim pensa que é a música é um bolero, tipo os da Roberta Miranda, só que cantado pela próxima estrela nordestina, chamada Ravel, que ainda será descoberta pelo Domingão Faustão! Ô, loco, meu! Mas não é, não!

Bolero é o nome da música composta pelo francês Maurice Ravel. Foi feita para um balé, para ser tocada por uma orquestra e apresentada pela primeira vez em 1928. Enfim, a melodia suave e uniforme de “Bolero” embala o pôr do sol do Jacaré há décadas. É lindo, especial, como você pode ver no vídeo abaixo.

O espetáculo é rápido. Por volta das 17h25m, o sol já se foi. Não se atrase! O astro-rei não espera.

A experiência vale muito a pena. Você flutua como se também estivesse no barquinho do Jurandy. A música que sai do sax transmite calma e te faz sair de lá leve, levinho… Obrigado, Paraíba!

A Praia do Jacaré fica pertinho da BR-230 (João Pessoa-Cabedelo), a 25 quilômetros de Tambaú. Quem está em João Pessoa, chega lá num pulo. Cabedelo é perto como se fosse um bairro vizinho.

 

ago. 28, 2014 - Viagem    Sem comentários

O porão do jazz em NY

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A noite de jazz em Nova York não é só no badalado Blue Note, que merece uma visita (claro!) e cobra um preço razoável pela entrada: US$ 20 e US$ 35 (pra ficar numa mesa). Uns quarteirões dali, ainda na parte de Manhattan próxima ao centro financeiro da ilha (Lower Town), está o Fat Cat, uma casa de jazz, digamos, mais informal. O preço do ingresso é agradável: US$ 3. Funciona de segunda a segunda, depois das 18h. E, por noite, oferece de três a quatro atrações musicais.

A fachada esconde um tesouro da noite novaiorquina e até, pode-se dizer, levanta suspeitas. É que é apenas uma portinha. Depois dela, uma escada que leva ao porão. O endereço é 75 Christopher Street. Quase esquina com a 7ª Avenida. Fácil de chegar, ainda mais que a estação de metrô Sheridan Square fica a uns metros dali.

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Ah, o Fat Cat! O porão é bem grande, espaçoso. Após a escadaria há um bar à direita. Ao lado, o espaço onde os músicos tocam e, de frente, sofás. Nada de cadeiras. Você se acomoda ali e pronto. Tá em casa.

No restante do megaporão (veja na foto abaixo) há mesas de sinuca, de ping-pong, de totó, daquele jogo de discos, além de tabuleiros de xadrez, de damas e de gamão. Há ainda outros sofás pelos cantos. Quem não quiser assistir às apresentações, passa o tempo jogando conversa fora ou jogando. As mesas de jogos são alugadas por hora. Varia de US$ 5,50 a US$ 6,50 por pessoa.

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O site da casa (http://www.fatcatmusic.org/) sempre informa a programação. Não espere ver por lá um músico ou grupo com fama. Mas tenha certeza de que você vai ouvir um bom som, o legítimo jazz americano.

Para quem gosta de cerveja, o Fat Cat tem umas opções. Além das latinhas da pilsen Pabst Blue Ribbon (US$ 3) e da long neck Hard Cider (US$ 5), a casa oferece ceeveja “on tap”, ou seja: direto da chopeira. Destaque para a “Belgian Style White”. É de trigo e sai por US$ 6 (copo de 400ml).

Ir ao Fat Cat é bem melhor do que passear na Times Square.

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