jul 7, 2016 - Recado    Sem comentários

FliSamba: Domingo tem Feira Literária do Samba no Renascença

nei lopes

O Renascença Clube, mais uma vez, avança na trincheira cultural, lançando a Feira Literária do Samba e da Resistência Cultural, a FliSamba. Vai ser nesse domingo, dia 10, das 13h às 22h, e a estrela dessa primeira edição é Nei Lopes (foto), 74 anos, o autor de grandes sambas e preciosos livros, como
“Partido-alto, samba de bamba”, “Sambeabá: O samba que não se aprende na escola” e, entre outros, “Zé Keti, o samba sem senhor”. É mais que merecido.

Como a feira é também da Resistência Cultural, haverá homenagem a Conceição Tavares, 69 anos, mestre e doutora em literatura, além de importante quadro do movimento negro. Escritora e poetisa, Conceição é a autora dos romances “Ponciá Vicêncio” e “Becos da memória”.

No “Segunda-feira, a história do Samba do Trabalhador”, eu conto um pouco sobre a maravilhosa história do clube, que é a casa da roda criada por Moacyr luz e um time de bambas. Não é exagero quando escrevo que o Rena avança na trincheira cultural. Ele batalha no front há tempos. Um exemplo: Vinicius de Moraes escreveu, em 1954, a peça “Orfeu da Conceição”, baseada na história de Orfeu e Eurídice, um drama da mitologia grega, e fonte de inspiração para dois filmes “Orfeu negro”, de Marcel Camus, e “Orfeu”, de Cacá Diegues. Pois bem. A primeira encenação da peça fora de um teatro aconteceu no… Renascença, fundado em 1951.
 
Bem, agora é a vez de promover e receber a primeira feira de livros de samba. É algo que já nasce importante e histórico. Torço para que a FliSamba fomente o surgimento de novos escritores e leitores. A partir das 13h de domingo, estarei lá batendo papo sobre o “Segunda-feira”.

Até!

 

 

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A foto é de Hudson Pontes.

jun 24, 2016 - Recado    Sem comentários

Jornalista Emanuel Alencar lança livro sobre a Baía de Guanabara

MANUE
Emanuel Alencar, jornalista sempre atento ao meio ambiente, lançou, ontem, no Rio, o livro “Baía de Guanabara – descaso e resistência”. A boa escrita do Emanuel já garante o sucesso da obra. Mas ela ainda fala dos problemas de um dos nossos maiores cartões-postais. Ao aproximar essa triste realidade do leitor, Emanuel contribui bastante com o debate sobre o meio ambiente. Quando algum candidato começar a falar da Baía de Guanabara, quem leu o livro vai saber se é cascata ou verdade.
 
Aliás, segue um dado do livro: Para despoluir a Baía de Guanabara são necessários US$ 5,7 bilhões, coisa de uns R$ 20 bilhões, segundo estimativas do ambientalista Axel Grael. E olha que o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), encerrado há dez anos e sem cumprir sua meta, gastou US$ 1,2 bilhão.
 
Parabéns, Manu!
jun 23, 2016 - Música    Sem comentários

Prêmio da Música elege Samba do Trabalhador melhor grupo do país

premio

Quando Gonzaguinha entrou no palco do Teatro Municipal do Rio, ontem, no 27º Prêmio da Música Brasileira, um “eterno aprendiz” teve a certeza de que aquela noite seria especial. Só mesmo um coração “que não abre a porta e não sabe que vale mais é viver” enxergaria ali o ator Júlio Andrade, que viveu o filho de Gonzagão no cinema. Era Gonzaguinha mesmo, o homenageado do ano.

O passeio pela vida do autor de “Com a perna no mundo” era, aos poucos, musicalmente interrompido por lindas apresentações e vibrantes entregas de prêmios. Por ali passaram os grandes. Ney Matogrosso, Alcione, Luiz Melodia, Angela Ro Ro…

Bem, o tal “eterno aprendiz”, que diz “Meu coração é um pandeiro”, queria mesmo era ver a categoria  samba. Era nela que o Samba do Trabalhador fazia sua batucada em busca dos troféus de “Melhor disco” e “Melhor grupo”.

O “aprendiz” não dissimula: Ele “acredita na rapaziada.” E quando chegou a hora, “Diga lá, coração”, redobrou as forças para se manter firme.

Na primeira chance – a disputa de melhor disco -, a torcida não deu certo. A expectativa deu lugar a uma aflição daquelas, “Coração na boca/Peito aberto”.

Ele acreditava muito que a vitória viria dali. Na outra categoria – melhor grupo – havia um concorrente de peso: o Fundo de Quintal, ponto cardeal de gerações. Mas… “Nunca pare de sonhar”. E ele não para.

Segundo depois, a doce voz de Dira Paes, a atriz que apresentava o prêmio, anunciou o nome do melhor grupo de samba do país. Ele já sabia, mas queria ouvir Dira dizer. E ela disse:

– Moacyr Luz e Samba do Trabalhador!

O “aprendiz” viu a emoção de Gabriel Cavalcante, Alexandre Nunes, Daniel Neves,  Júnior de Oliveira, Luiz Augusto, Nego Alvaro, Mingo Silva e Moacyr Luz. Foi lindo, porque “Um homem também chora”.

Não é demagogia e dizer isso hoje é ainda mais significativo: um dos maiores prêmios que o Samba do  Trabalhador tem é o sorriso bobo que surge no rosto do frequentador fiel ao perceber que a segunda-feira chegou. Mas quando Dira falou: “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador!”… Ora, “O que é, o que é?”, ele já não dava mais conta de pensar nisso.

Os segundos em que os nove músicos gastaram para chegar ao palco foram suficientes para um filme passar pela cabeça do “eterno aprendiz”. Assim como muitos outros, ele sabe as dificuldades que todos passaram até ali. E, enfim, chegara a hora da “Colheita”. Mais uma.

O “aprendiz” gritou. Mas não um “Grito de alerta”. Foi de alegria, de alívio, de “finalmente”. Ali, ele era nada mais, nada menos do que um fã da roda, um torcedor apaixonado. Ele era eu, era você.

O “aprendiz” não sabia se podia gritar daquele jeito. É que a vetustez do Teatro Municipal lhe impunha excessivo recato. Mas ele gritou. E gritou porque Gonzaguinha sussurrou só para ele:

– Não dá mais para segurar. Explode, coração!

jun 20, 2016 - Música    Sem comentários

Tem Arlindo Cruz no ‘Segunda-feira, a história do Samba do Trabalhador’

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“Segunda-feira, a história do Samba do Trabalhador” conta muito mais do que a trajetória da roda criada, por Moacyr Luz e um time de bambas, em maio de 2005, no Renascença Clube, no Rio. O livro passeia por quatro grandes rodas de samba do Rio de Janeiro.

Uma delas é o Pagode do Arlindo, fundado em 1981, em Cascadura. Nesses “100 anos” de samba, “Segunda-feira” é o primeiro livro a registrar como foi, do início ao fim, esse movimento criado por Arlindo Cruz, um dos mais talentosos artistas da nossa música.

Além disso, é de Arlindo um dos 100 verbetes do livro. Entre tantas coisas que gostei de saber sobre ele, a mais curiosa é que Arlindo é CDF, daqueles caras que colecionam notas 10 nas provas do colégio, sabe? Tanto que, aos 15 anos, passou para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar).

Nesse tempo, Arlindo tocava, veja só, com Antônio Candeia Filho, o Candeia. E quando o grande compositor da Portela soube da aprovação, brincou com o menino.

– Perdi um cavaquinista, mas vou ganhar um amigo brigadeiro da Aeronáutica.

Só que Candeia estava errado. O samba tinha outros planos para Arlindo. Ainda bem.

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jun 17, 2016 - Música    Sem comentários

A Roda: o encontro de Monarco com o Samba da Ouvidor

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O primeiro dia de “A Roda”, ontem, no Circo Voador, no Rio, foi muito mais do que uma estreia. Foi dia de ver um velho baluarte do samba, que faz sucesso do passado ao presente, lado a lado com um jovem grupo, que, no presente, não se esquece do passado. Foi um brinde ao encontro, uma exaltação à música que o Rio de Janeiro talhou, um louvor à amizade.

Monarco, o grande portelense, de 82 anos, cantou seus clássicos com o Samba da Ouvidor, roda que há quase 9 anos faz sua história no Centro do Rio. E num Circo Voador com arrumação diferente da convencional. O palco ficou vazio, e uma tela branca, no fundo dele, apenas recebia projeções de  imagens. Ontem, o coração bateu na pista. Sob a lona histórica, um tablado abrigou músicos e instrumentos. O público ficou em volta, como é típico de uma roda (e também nas arquibancadas, como é próprio do Circo).

Um amigo, o Marcão, chamou-me a atenção: “Isso aqui (a plateia) está parecendo recreio de escola”. Metáfora para comentar o tanto de pessoas amigas e conhecidas que se cumprimentavam ao som de “A Roda”.

Parte do público fiel da famosa esquina da Rua do Ouvidor estava lá, inebriada com o voo de Gabriel Cavalcante e cia. Todo mundo conhecia alguém que ali estava.

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E o samba tratou de aprontar das suas. Elevando o brilho da estreia, Ivan Milanez, o bamba da Velha Guarda do Império Serrano, e Teresa Cristina, a grande cantora que encanta multidões e desconhece fronteiras, juntaram-se à roda em canjas dignas dos mais sinceros aplausos.

O show, claro, reuniu os repertórios de Monarco e Samba da Ouvidor. Só pérola. E forma cerca de 50 delas. Outra joia da noite, quando as cortinas já ameaçam fechar, foi o público cantando com Gabriel Cavalcante, Monarco e Teresa Cristina a emocionante “Preciso me encontrar”, a poesia de Candeia em forma de música, gravada por Cartola e, depois, por um sem número de artistas.

O vídeo mostra como o público fez bonito no coro: “Quero assistir ao sol nascer/ Ver as águas dos rios correr/ Ouvir os pássaros cantar/ Eu quero nascer, quero viver/ Deixe-me ir, preciso andar…”

Quando o Circo Voador completar 40 anos, a noite de ontem vai estar na retrospectiva. E muitos vão se lembrar que estava “cheio bom”. Tinha bastante gente, mas dava para circular com tranquilidade.

O valor de “A Roda” é bem maior do que seu preço. Por isso, os relatos das testemunhas de ontem farão o  Circo ficar apinhado na próxima edição, que ainda não tem data para acontecer. Lá na frente, muitos vão se lembrar desse sucesso.

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A Roda encerrou a noite com uma homenagem. Monarco, Teresa e Ivan já tinha saído do tablado. O microfone passou ao comando de Gabriel Cavalcante e Pedrinho da Muda, amigos de toda vida e de Samba da Ouvidor. Cantaram “O bêbado e a equilibrista” (Aldir Blanc e João Bosco) para lembrar o Maneca, a bondade em forma de gente que nos deixou recentemente. Não era só música, nem só poesia. Eram acordes emocionados que, feito onda, saíam daquele tablado.

Acho que vi. E foi lá do outro lado. Eram duas mãos fechadas e para o alto, balançavam como se comemorassem um gol. Acho que ouvi, vindo de lá mesmo, o grito: “Gabiiiiiii…”. Era como o Maneca reagia quando o Samba da Ouvidor cantava esse hino.

Acho que vi. Acho que ouvi. Não sei. A Roda tem um quê de encanto. Acho que, talvez, eu tenha sido atingido pela tal onda dos acordes emocionados. Juro que não sei. Sei que foi assim e… que essa Roda precisa girar sem parar.

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jun 12, 2016 - Música    Sem comentários

Um papo com Aldir Blanc, um gênio quase setentão

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Um dos maiores compositores da nossa música, Aldir Blanc está chegando aos 70 anos. O aniversário do coautor de “O bêbado e a equilibrista” é no próximo dia 2 de setembro, mas as comemorações já estão começando. O CCBB do Rio receberá o evento “Aldir Blanc  70 Anos – Bom de se Ver, Bom de se Aldir”, com João Bosco, no dia 16; Zé Renato, no dia 17; e  Leila Pinheiro, no dia 18. E o Teatro Ziembinsk, na Tijuca, terá, nos dias 16 e 17, o show  “Sambas de Aldir para ouvir”, organizado e apresentado por Dorina, a querida cantora (na foto de baixo).

Aldir não costuma sair de casa. E isso acontece há anos. Na companhia de Mary, sua mulher, prefere a reclusão do lar, na Muda, sub-bairro da Tijuca, onde a vida tem música própria. A opção não o impede de ficar atento ao que acontece do lado de fora. Basta ler os afiados artigos que publica em “O GLOBO”. Ele conserva a genialidade de sempre, e quando perguntei como é chegar aos 70 anos, não titubeou:

– Eu diria que foi inevitável.

Aldir Blanc é peça rara. Mesmo sem fazer propaganda, tem admiradores por todos os cantos. Aliás, Chico Buarque disse certa vez que este carioca, cidadão da Muda e “glória das letras cariocas”, é mesmo “Bom de ser ler e de se ouvir, bom de se esbaldar de rir, bom de se Aldir”. Tem razão.

Segue a entrevista.

Perto dos 70 anos, você costuma pensar mais no passado ou mais no futuro?
– Penso no presente, na amorosa convivência com mulher, filhas, netas e netos, o bisneto e alguns amigos que sobraram. É o que me dá força.

E as composições, seguem a todo vapor ou em ritmo mais cadenciado?
– As composições estão mais lentas, até porque são mais pensadas. Vivi momentos difíceis com a morte de meu pai e de um amigo-irmão, o Maneca (na foto de cima). O aparecimento da diabetes, em 2010,  também embolou o meio de campo. Estou mais devagar, mas não quase parando.

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Existe história de amor mais triste do que a cantada em “Paquetá, dezembro de 56” (o samba, de Aldir, conta a história de um suposto triângulo amoroso que acaba em tragédia)?

– Não. Você acertou no alvo. Tem um pouco de reminiscência nessa letra. Não por acaso também fiz a música, o que é raro. Foi uma dessas que brota relampejando… Eu mal tinha mãos para a caneta, o violão, uma loucura, a cabeça atropelando na reta. (Minutos depois, Aldir completou a resposta, que está a seguir) Ao lado daquela “enfermeira do Salgado Filho” (refere-se à música “Lupicínica”, em parceria com Jaime Vignoli), é a letra mais triste que escrevi.

Do que você sente saudade?
– Sinto saudade de Vila Isabel da meninice, dos que partiram – dos avós, então, cacetada!, do futebol de outrora sem cotoveladas na cara, do Brasil que não reconheço com aqueles ministros doidos para privatizar tudo antes de perderem a boca nas próximas eleições.

Das suas letras, qual a que você mais gosta?
– Por ter sido injustamente maltratada por palhaços estruturaloides, “O bêbado e a equilibrista” (com João Bosco, que faz 70 anos no próximo 13 de julho).

Hoje, muitas rodas de samba reverenciam suas composições. Suas criações caminham para a eternidade. O que você acha disso?
– Fico muito feliz, mas nunca pretendi isso. Acho que a essência do compositor popular está no anonimato, em ser assoviado na rua por um cara que nem conhece o autor, às vezes, como já me aconteceu, mesmo ao lado dele…

Por fim, chegando perto dos 70 anos, é possível dizer qual é a maior alegria dessa vida?
– Filhas, netos e netas, bisneto, poucos amigos sinceros, uma companheira amorosa, livros e música.

Aldir Blanc, o único que até aqui foi capaz de dar resposta ao tempo, sabe das coisas.

Ouça “Resposta ao tempo”:

 

E aqui… “Paquetá, dezembro de 56”:

jun 7, 2016 - Opinião    Sem comentários

Ações de juízes contra jornalistas me lembraram Eduardo Cunha

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A primeira matéria, da “Gazeta do Povo”, é de fevereiro desse ano. A outra, do GLOBO, de hoje. Os jornalistas do Paraná mostraram que tem promotor, procurador, juiz e desembargador ganhando acima do permitido no estado do Sul do país. Segundo a reportagem da “Gazeta”, o desembargador Paulo Roberto Vasconcelos, por exemplo, recebeu em janeiro de 2016 um dos maiores salários, R$ 147.095. Agora, quatro meses depois, membros do TJ do Paraná estão movendo 36 ações contra os jornalistas.

E os processos são em cidades diferentes. Assim, o repórter tem que se deslocar para comparecer à audiência e, dessa forma, acaba perdendo o dia de trabalho.

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O expediente é o mesmo que o deputado Eduardo Cunha usou, certa vez, contra a coluna Ancelmo Gois, na qual trabalho. Cunha, hoje afastado por conta de denúncias de corrupção, moveu uma ação contra a gente em Duque de Caxias, onde fica o parque gráfico do jornal. Com isso, tivemos que ir até a cidade da Baixada Fluminense participar da audiência. E era uma sexta-feira, dia de trabalho puxado para a gente.

No mais, na democracia, qualquer cidadão tem direito a buscar seus direitos. Ok! Resta torcer por justiça e manifestar solidariedade aos colegas do Paraná, que serão julgados por pares dos alvos de suas matérias.

maio 30, 2016 - Música    Sem comentários

Samba do Trabalhador, 11 anos e muitas lutas

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O Samba do Trabalhador completa hoje 11 anos. É dia de festa no Renascença Clube, no Andaraí, a casa da roda que derruba barreiras com o som de seus pandeiros. E hoje, como há 11 anos, também é segunda-feira, o improvável dia para um evento bem-sucedido.

Mas é que o Samba do Trabalhador luta na vanguarda, lá na frente. Em “cem anos de samba”, foi a primeira roda, por exemplo, a gravar CD com músicas autorais. Foi a primeira a gravar DVD. Foi a primeira a fechar contrato com uma grande gravadora, no caso, a Universal. Dia 4 agora, vai gravar um DVD em… São Paulo. E dia 22, disputa o Prêmio da Música Brasileira em duas categorias.

Contudo, hoje, por causa do caso da moradora do Leblon Maria Francisca Alves de Souza, de 58 anos, presa sábado após atos de racismo contra o gerente de um mercado na Rua Dias Ferreira, destaco um outro acerto, uma outra vitória do Samba Trabalhador: a batalha contra o racismo, a pregação da igualdade entre os seres humanos.

E essa luta tem até música própria: “Estranhou o quê?”, o samba de Moacyr Luz que Nego Alvaro canta no DVD “Moacyr Luz & Samba do Trabalhador – Ao vivo no Renascença”, lançado em 2013 (e gravou no disco solo dele, que está saindo do forno). O samba ensina: “Preto pode ter o mesmo que você”.

O samba, o gênero musical, foi criado pelos negros. E o Renascença, por negros rejeitados em outros clubes, nos anos 1950, por causa da cor de suas peles. Mas o Samba do Trabalhador é comandado por um branco, o Moa. E sabe qual o problema disso? Nenhum. Porque o samba não enxerga cor, enxerga luta. No samba, cor não é problema. E contra quem vê problema na cor, o Samba do Trabalhador levanta sua voz, atiçando sua plateia. Graças a Deus, não está sozinho nessa trincheira.

Obrigado, Samba do Trabalhador. Parabéns, Samba do Trabalhador. Que todos possam ter “o mesmo que você”.

maio 30, 2016 - Opinião    Sem comentários

Expresso Racismo: do Leblon para um presídio em Bangu

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Tudo começou porque a moradora do Leblon Maria Francisca Alves de Souza, de 58 anos, estava com seu cachorrinho e, como não podia entrar com o totó no mercado, queria que o gerente fizesse compras para ela. Isso foi sábado passado. Depois dos atos de racismo, ela foi presa e passou a noite no complexo de Gericinó, na Zona Oeste carioca.

Antes disso, na DP, tentou se justificar: “Olhem as senzalas das telas de Debret”. Sobre a frase “volte para o seu quilombo”, ela disse ser uma referência a Zumbi, “ícone da resistência dos negros”. Ou seja: Maria Francisca não pratica racismo por ignorância (afinal, ela conhece Debret e Zumbi!). Talvez seja só por maldade mesmo.

Contudo, torço para que ela se regenere e aprenda a viver em sociedade.

maio 17, 2016 - Música, Recado    Sem comentários

Samba do Trabalhador é finalista do Prêmio da Música Brasileira

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Daqui a 13 dias, a roda que Moacyr Luz e um timaço de bambas criaram, no Renascença Clube, Zona Norte do Rio, completa 11 anos. E como um afago inesperado surge um presente de véspera: O Samba do Trabalhador concorre aos títulos de melhor álbum e de melhor grupo, na categoria Samba, da 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira (PMB).

Sou avesso à ideia de se ter concurso para eleger “a melhor roda”. Só que o Prêmio da Música Brasileira é diferente. Ao não estipular regras que precisam ser cumpridas para se chegar ao pódio, ele não altera a essência de seus laureados. O PMB apenas vai lá e reconhece o valor que enxerga.

Com todo o respeito a Zélia Duncan e Roque Ferreira – que disputam a categoria Melhor Álbum -, ao Trio Gato com Fome e ao gigante Fundo de Quintal – que concorrem a Melhor Grupo – esses canecos, acho eu, devem pegar a Rua Maxwell, dobrar na Barão de São Francisco e iluminar o quintal do número 54.

É lá que o Samba do Trabalhador, toda segunda-feira, faz história. É lá que ele resiste, multiplica, faz rir e faz chorar. É lá que o Samba do Trabalhador recebe as palmas e o calor de seus admiradores. E, cá para nós, são esses seus maiores prêmios.

Mas que fique claro: sob as sombras da caramboleira há espaço para mais. Por isso, desde já, tem muita gente torcendo pela chegada do Prêmio da Música Brasileira que hoje apontou no horizonte desses bambas.

Essa maravilhosa disputa é mais um pedaço do caminho que o Samba do Trabalhador trilha rumo a uma eternidade outrora inimaginável.

O resultado sai em 22 de junho, mas a festa já começou.

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